sexta-feira, 1 de maio de 2015

Presunção da culpa

Diz a Constituição brasileira que "todo cidadão é inocente até que se prove em contrário".  Se esse texto fosse refletir a realidade deveria dizer "todo cidadão rico ou influente é inocente, mesmo que se prove o contrário".
Pois é assim que "a coisa" funciona no Brasil.
Aqui certas pessoas são inimputáveis. Se não, como explicar que ainda paire alguma dúvida sobre a responsabilidade da dona Dilma, que foi por 7 anos presidenta do Conselho de Administração da Petrobras, essa empresa que se desmanchou diante de nossos olhos pelo que lhe aconteceu exatamente durante esses sete anos.
Se não, como explicar que ainda haja dúvida sobre o tráfico de influência de Lula, garoto-propaganda ou mascate da Odebrecht e da OAS, que direta e indiretamente lhe beneficiaram, no mínimo com a reforma do sítio de Atibaia, com denunciou a revista Veja, ou o triplex do Guarujá.
Em qualquer país sério esse senhor e essa senhora estariam sendo investigados. Há indícios mais que suficiente para investigá-los. Pode ser até que nada se possa provar. Isso é outra história.  Mas como pessoas públicas essas suspeitas e indícios não poderiam ser ignorados exatamente porque exerceram o poder no cargo mais alto do país.
Quem se oferece à vida pública não poderia ter privilégio de espécie alguma. Não poderia ter sigilo bancário, nem fiscal.
A esses deveria ser negada a presunção de inocência. E isso não é destituí-los de direito algum. Afinal, nada, nem ninguém os obriga a exercer a função pública.
Se querem exercê-la deveriam de antemão abrir mão desses direitos enquanto a exercerem. Isso, sim, eliminara muito da corrupção no país. No mais tudo é apenas um brincadeira de mal gosto com a nossa cara e uma empulhação, uma mentira.
Se quisermos melhorar a qualidade da política temos que mudar as regras do jogo e estabelecer uma espécie de "presunção de culpa". No momento em que se dispusesse a disputar e exercer uma função pública, o candidato deveria se despir da roupagem de cidadão e, como os romanos, vestir a toga branca, cândida - daí a origem da palavra candidato - e abrir mão desses direitos, só recuperando-os no dia em que voltasse à vida de cidadão comum.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Fechando a porta do PT

Quem diria? Marta Suplicy, inegavelmente um dos ícones do partido, sair do PT dessa forma é uma coisa que seria impensável há alguns anos. O casal Suplicy quando se filiou ao PT deu um aval de classe média alta a um partido de barbudos, que só tinha apoio dos sindicatos, de uma parte da Igreja Católica e dos estudantes.
Ter o apoio e a filiação de duas pessoas oriundas de famílias ricas e tradicionais paulistanas  (quatrocentões como se dizia) não era um trunfo dos menos importantes.  O partido precisava se firmar, precisava buscar apoio fora dos seus rincões tradicionais, senão não deslancharia como força política nacional. Ficaria incrustado no ABC, elegendo uns gatos pingados e sendo apenas considerado para compor apoios na hora das coalizões eleitorais.
Para chegar ao poder de fato, ao poder central, precisaria sair do seu reduto e conquistar a confiança e os corações de outros setores da sociedade. Por isso, talvez, tenha sido tão emblemática essa filiação. A presença de Eduardo Supicy, mas principalmente a presença de Marta, mais aguerrida, mais incisiva do que ele, dava ao partido uma cara diferente, uma cara mais reconhecível para os paulistanos de classe média. Como eram ricos, sua presença no PT, funcionava como uma "garantia" de que, se chegasse ao poder, o PT não iria "tomar o apartamento" de ninguém. Por ironia, foi o próprio PT quem fez uma alegação semelhante agora na última campanha,  dizendo ao povo que se o PSDB voltasse ao poder a comida sumiria das mesas.
Obviamente não foi isso apenas que levou o PT a conquistar corações e mentes da classe média e acabar por eleger um presidente. Mas, como na vida e principalmente na política, o importante são os símbolos, ficou no inconsciente coletivo a imagem de Marta grudada no PT.
Pois agora, Marta se vai. E sai fiel ao seu estilo, atirando para todo lado. Sai dizendo as verdades que tem que ser ditas. Sai apontando os erros do partido, erros tais que inviabilizaram a sua permanência nele. Antes dela, sairam outros emblemas, como Hélio Bicudo, Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio e outros que simplesmente se afastaram.
Mas a saída de Marta tem um caráter simbólico especial. Com a sua saída, em sequência à de tantos outros, e diante do maior escândalo político jamais patrocinado por partido algum na história desse país, é como se um ciclo se encerrasse. É como se Marta, ao sair, estivesse fechando a porta do PT. Bye, bye.

domingo, 26 de abril de 2015

A mística vermelha

A culpa de tudo isso que os brasileiros estão enfrentando e ainda vão enfrentar nesse ano e em 2016 é do Lula! E, claro, dos eleitores que, enganados ou não, votaram no poste indicado pelo Lula.
Mas primordialmente a culpa é do Molusco. Se ele não tivesse feito seus planos individualistas e não tivesse escolhido propositalmente uma pessoa tão despreparada e sem expressão para sucedê-lo, nada disso estaria acontecendo.
Mas, ao escolher a pessoa que menos lhe poderia fazer sombra, acabou escolhendo a menos indicada. Tudo isso em nome de projetos pessoais megalômanos, amparado por um partido nutrido pela delinquência e por delírios autocráticos.
Perderam por completo a noção das coisas, esqueceram-se que por trás de tudo e, com expectativas e necessidades, havia um país, uma nação, um povo, que não se contentaria em fazer eternamente apenas o papel de coadjuvante nessa novela de segunda classe.
Agora, que o projeto fantasioso deu errado, o prejuízo não será deles, ao contrário, será distribuído por toda a população que trabalha e produz. E não erá distribuído equitativamente, mas o peso maior cairá nas costas daqueles que menos tem, nas costas dos desprotegidos de sempre, na massa pobre que depositou suas esperanças nesse partido que pura e simplesmente as traiu, como diz, em reportagem da revista Veja dessa semana, a senadora Marta Suplicy, fundadora do PT, e que os conhece muito bem.
Agora não adianta tentarem retomar o fio da história, sairem com as bandeiras vermelhas às ruas dizendo estarem se aliando aos protestos contra a terceirização ou similares. Soa falso e é falso! Ninguém acredita mais. Acabou-se a mística do partido de massas, nascido nas bases, popular.
Sabemos agora que foi tudo por dinheiro e o dinheiro é o que continua ainda a lhes ditar os passos políticos. O recente absurdo aumento do Fundo Partidário, quando o mesmo governo que o aprova impõe uma recessão ao resto do país, é a demonstração de que o objetivo continua a ser simplesmente o vil metal, obtido por qualquer meio, por vias legais ou ilegais. Querem a sobrevivência da sigla apenas para lhes garantir a possibilidade de continuar o processo de sangria dos cofres públicos e a obtenção dos votos dos bobos que ainda acreditam na mística vermelha.

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