quinta-feira, 10 de novembro de 2016

E agora, Tio Sam?

A vitória do Donald, na terra do Mickey, não é (só) uma piada. Essa vitória transmite um recado que está sendo dado não só pelo americano médio, mas pelo europeu médio, pelo brasileiro médio, etc., às classes até então dirigentes da política. É o recado do "cansei".
Cansei de pagar impostos e não ter retorno proporcional. Cansei das crises econômicas, provocadas por grandes corporações que, quando lucram, lucram privadamente e quando têm prejuízo, dividem esse prejuízo com toda a população. Cansei das promessas vazias. Cansei do jogo de cartas marcadas. Cansei das mentiras. Cansei de ser feito de trouxa.

Esse recado está muito claro a toda a classe política. O Brexit foi um pouco disso. A ascensão de radicais, como Marie Le Pen na França, é outro caso.  Na Grécia, o partido neo-nazista já é o segundo maior do país. Aqui no Brasil vimos a mesma coisa, pelo índice de abstenção récorde nas últimas eleições. O não-político está ganhando em toda parte. Seja João Dória, ou o bispo Crivella, ou Alexandre Kalil; ou seja Trump. Já que alguém têm que ser eleito, eleja-se um não-político, ou alguém que não faça parte dessa geléia geral que se vê por aí.
Esse desencanto com a classe política, por culpa dela mesma, é muito perigoso, porque o desencanto não é só com a classe política. O desencanto é com a democracia!
Afinal, perguntam-se os eleitores, de que vale votar em alguém, se nada muda? Se os que conduzem as questões principais do mundo não perguntam nada aos eleitores e fazem seu jogo, sua briga de cachorro grande, indiferente à sorte das pessoas?

A crise de 2008 deixou isso bem claro. Um país, a Islândia, tomou a decisão correta: deixa quebrar! O governo não vai salvar banco nenhum! Deixa quebrar! E, coincidência ou não, a  Islândia saiu rapidamente fortalecida da crise, enquanto resto da Europa ainda patina. Os Estados Unidos, do Lehman Brothers, também ainda patinam e os cidadãos deram o troco aos políticos dessa vez. As pessoas querem menos mimimi, menos interferência do Estado na vida delas. As pessoas não querem que o Estado decida se gays podem ou não se casar, se uma mãe pode ou não abortar um feto anencéfalo, se um pai pode ou não dar uma palmada no filho, se um adulto consciente pode ou não usar drogas. As pessoas querem é que o Estado lhes garanta a segurança, justiça, condições de trabalho e escola para os filhos e que consigam pagar suas contas no final do mês. As pessoas querem viver as suas vidas em paz. Só isso! Será que é pedir muito?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Partidos são imunes à lei?

Essa é uma pergunta que muitos brasileiros se fazem. Temos visto na Lava Jato vários agentes políticos serem condenados, cumprirem penas, pagarem multas, terem que devolver dinheiro roubado dos cofres públicos, mas nada até agora aconteceu com  os partidos.
O PP, o PT e o PMDB fizeram parte da quadrilha, foram beneficiários do crime organizado, incharam seus caixas com dinheiro desviado dos cofres públicos , o que lhes coloca em posição vantajosamente desleal em relação aos partidos que obedeceram a lei.
No nosso ordenamento jurídico, entretanto, as razões para cancelamento do 
registro de um partido são só quatro:

I – recebimento de recursos financeiros de procedência estrangeira;
II – subordinação a entidade ou governo estrangeiro;
III – falta de prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV – manter organização paramilitar.


Não há nada que fale sobre o recebimento ilegal de propinas, de dinheiro desviado dos cofres públicos ou de estabelecimento de caixa dois. A nossa legislação é "boazinha" com os partidos. Assim, não espanta que alguns dos mais importantes tenham se transformado em organizações criminosas. Criar um partido político, entre outras vantagens, tem aquela de tornar possível fazer ilegalidades legalmente. 

Na atual legislação os partidos quase que se tornam personagens inimputáveis, são imunes à lei. Uma das coisas que temos que corrigir no país é essa aberração.
A esquerdopatia vai chiar quando uma proposta dessas atingir o PT. Vão dizer que isso é antidemocrático, como sempre, se esquecendo, de propósito, que burlar as regras, que deveriam valer para todos, é o ato mais antidemocrático de todos.
Em um regime verdadeiramente democrático não há imunidades. Todos estão igualmente sujeitos à lei.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Por que Aécio perdeu?

Depois do PT, quem mais perdeu cacife político, nessas eleições, chama-se Aécio Neves.
Há 2 anos era candidato a presidente e teve uma votação expressiva, de quase 50% dos votos válidos. O que aconteceu de lá para cá?
Ora, se analisarmos bem, já em 2014, as nuvens políticas desenhavam o esboço da situação atual.  Minas Gerais, o seu estado de origem, não o apoiou. Isso diz tudo. A candidata Dilma, visivelmente muito menos preparada do que ele, sem articulação, incapaz de produzir uma frase com sentido completo, era para ter levado uma lavagem em Minas Gerais. Mas o que se viu foi ela saindo vencedora no estado. Pelamordedeus!

A partir daí, Aécio continuou sendo o mesmo Aécio, sem extrair dessa derrota nenhuma lição política. Sendo presidente do PSDB, o maior partido de oposição ao governo do PT, durante todo o processo de impeachment da incompetente, por incrível que pareça, não se ouviu sua voz. 
O senador Anastasia, seu maior aliado, foi o relator do processo; e onde estava Aécio durante todo aquele tempo? Vimos e ouvimos, o senador Magno Malta, o senador Caiado, o senador Medeiros, e até o senador Cristóvam Buarque, mas a voz de Aécio não se fez ouvir nesse processo.
Nas manifestações de rua, aconteceu o mesmo. Sobre a Lava Jato o mesmo silêncio. Sobre Eduardo Cunha, idem, sobre Renan, Fernando Collor e Sarney, a mesma ausência.  Recentemente, no quiproquó da PF fazendo busca e apreensão no Senado e o Renan atacando o poder Judiciário e chamando o juiz de juizeco, alguém pode dizer qual foi a posição de Aécio?

Será que ele pensa que, no tempo das redes sociais, a política ainda é feita no pé de ouvido, como no tempo de seu avô? Quem não fizer política ouvindo a voz do povo, dialogando com os movimentos sociais, estará condenado ao ostracismo. 
Vejam o exemplo do deputado Onyx Lorenzoni. Está participando de todos os processos, viajando, dando palestras, participando de audiências públicas, conversando com as pessoas, com os líderes dos movimentos, com a força tarefa da Lava Jato, procurando entender o momento e, como parlamentar, ajudar a encaminhar soluções. 
É assim que se deve comportar um político nos dias de hoje, se quiser ter legitimidade e representatividade em seu mandato.
Se é pra ficar escondido em Brasília, ou nas fazendas de Cláudio, é melhor então abandonar a política, porque a política já o abandonou.

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