sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A droga do poder

O Brasil, que trabalha e paga impostos, vive hoje espremido entre duas forças: o crime organizado do tráfico de drogas e o crime organizado do tráfico de poder. 
A droga do poder e o poder da droga são equivalentes. Um é a imagem especular do outro e se complementam, até mesmo se confundem em determinadas circunstâncias: lembremo-nos do helicóptero pertencente a um senador e que foi interceptado com 400 quilos de cocaína.

No meio, estamos nós, indefesos, submetidos ao medo e à insegurança todos os dias. Vivemos em Aleppos, em um país há muito conflagrado e que, cada vez mais, vai perdendo as condições de civilidade, submetidos a um Estado que se desmantela a olhos vistos e vai se tornando uma terra de ninguém, onde o que impera é a lei do mais forte. É a barbárie se aproximando de nós.

O psicanalista Carl Gustav Jung disse que a civilização é apenas um verniz em cima da barbárie e que, basta um pequeno relaxamento no controle, para que esse verniz se desfaça e a barbárie venha a tona com todo o seu horror. Hoje vivemos sob essa ameaça. Os bárbaros estão ali, do outro lado, espreitando. O muro que os detinha está se despedaçando e logo, logo, a seguir nesse passo, serão eles que ditarão as regras. Já o fazem nos territórios atuais de seu domínio, como nos morros e nos presídios. O Estado não tem condições de os enfrentar, mal dá conta de si mesmo, um Leviatã que só aumenta de tamanho e de voracidade para não fazer nada além de se alimentar do trabalho dos outros.

Onde vamos parar? Na verdade, tudo é urgente no Brasil. Tudo requer conserto imediato e o conserto de uma área depende do bom funcionamento de outra. Nunca se imaginou que pudéssemos chegar a uma situação dessa. Mas chegamos. Agora, como uma nação em guerra, não há outra possibilidade que não a de encontrar uma saída e começar a reconstrução do zero. Remendos não valem. Tem que ser reconstrução mesmo, do zero.

domingo, 8 de janeiro de 2017

A força das facções

Segundo a PF, com o tempo e a "experiência" de Carnaúba e Zé Roberto, a FDN desenvolveu um "modus operandi " próprio para transporte de grandes cargas de drogas, que inclui a utilização de embarcações, armas de grosso calibre e adoção de medidas de contra inteligência.  Esse é um trecho da decisão do STJ que suspendeu a desembargadora Encarnação das Graças de suas funções por suposta ligação com a facção criminosa FDN.

O que chama atenção nesse texto é a admissão de que uma organização criminosa, cujos membros tem escolaridade mínima e mal conseguem se expressar na língua pátria, é capaz de se organizar de uma forma tal que faz frente e supera, na maioria das vezes, a organização do Estado! Eles desenvolveram medidas de contra-inteligência! Espionam a própria Polícia Federal. Tem, como empregados, advogados atuantes e conexões, como se viu até agora, com juízes e ao menos uma desembargadora! 

Salve-se quem puder! A sensação é que estamos perdidos e de que não haja mais solução para esse país. Se a "coisa" chegou a esse ponto, o que podemos esperar? Por um milagre que, de repente, o aparato estatal comece a funcionar e consiga desbaratar essas quadrilhas que mandam e desmandam nas penitenciárias? Ou que o aparato estatal deixe, de repente, de servir a outras quadrilhas, as de cima, para se dedicar a combater as quadrilhas de baixo. São por esses milagres que esperamos?

Infelizmente o mais provável é que a força e a organização dessas facções cresça cada mais e passem a dominar outros setores, como, por exemplo, o poder legisltivo e o próprio judiciário. Nem é preciso mencionar a polícia, porque essa já não conta, já está cooptada e dominada. A infiltração no judiciário é um passo lógico na estratégia dessas organizações. O exemplo de como se dá essa infiltração é o caso da desembargadora Encarnação das Graças. Obviamente ninguém é ingênuo o bastante para acreditar que essa desembargadora seja a única pessoa cooptada no judiciário por uma facção criminosa.

O maior problema entretanto é que a corrupção generalizada produz um ambiente extremamente propício para o crescimento de outras organizações criminosas e consequentemente extremamente adverso ao seu combate. Como sempre, a corrupção é a mãe de todos os males. 

Solução sempre haverá, o que não sabemos é se ainda há solução dentro de um sistema democrático de direito.  

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

País sem noção

Não é preciso ser estudioso do assunto para saber que a carnificina do presídio em Manaus se deve à luta entre facções criminosas. É o PCC estendendo o seu domínio e - para ficar bem claro quem é que manda - exterminando os adversários das facções locais.
O PCC age como uma corporação bem gerida: planeja, executa e avalia antes de dar próximo passo. O PCC é velho conhecido das autoridades brasileiras e há anos vem estendendo o seu domínio, estado após estado, e as autoridades não fazem nada, fingem que não é com eles. Em alguns casos, o PCC atua até nas campanhas políticas, definindo candidatos, quem vai ganhar e quem sequer poderá disputar com eles. As inúmeras execuções na Baixada Fluminense nessas últimas eleições municipais demonstram cabalmente a realidade dessa tese.

O PCC domina os presídios, os "morros", o tráfico e as ruas de determinados territórios. Vai parar por aí? Não vai. Não há limite para o crescimento de organização criminosa alguma, se não for por duas razões: uma outra organização criminosa concorrente a enfrenta (o que não resolve o nosso problema), ou uma força maior, o braço da Lei executada por um Estado organizado e capaz, a detém. Esse é o tamanho do nosso problema: onde está o Estado forte e organizado para deter o PCC?

Esse Estado já foi assaltado antes, já pertence a uma outra organização criminosa, mais antiga e mais organizada. Devido aos interesses dessa outra Orcrim, os recursos do Estado não são para serem "desviados" para o controle da segurança dos cidadãos. Esses recursos estão nos caixas do Estado para serem devidamente apropriados por eles. As duas Orcrims não brigam entre si.
O mais patético é termos que ainda ouvir o discurso demagógico de organizações de "defesa dos direitos humanos" lamentando o massacre como se tivesse sido um genocídio de inocentes e não o resultado de uma guerra em que não há um lado virtuoso. Não defendo que organizações criminosas se matem. Elas deveriam estar sendo, se não desmanteladas, ao menos controladas pelo Estado e sequer existir dentro de uma edificação que pertence ao Estado, como é o caso de um presídio, mas enquanto a guerra é entre eles não há motivo para choro de nossa parte.

Uma outra sumidade diz que o problema é o crescimento da população carcerária, como se deixar esses criminosos na rua fosse uma solução. E ainda vem o governador dizer que vai indenizar as famílias das vítimas! Ou seja, criminoso mata criminoso e quem paga a a conta é o pobre do cidadão contribuinte! Realmente o Brasil virou um país sem noção!

PS- Para registro do país boquiaberto: segundo O Antagonista, os presidiários em Manaus tinham acesso a frigobar, sistema de som, armas, bebidas e celulares.

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