sábado, 25 de dezembro de 2010

Me engana que eu gosto

Antigamente havia garotas-propaganda. Quem sabe hoje, pos-modernamente, possa haver velhotes-propaganda. Se puder, um candidato natural ao título para a propaganda do Viagra seria esse deputado Pedro Novais, indicado ministro do Turismo. Todos já sabem da história: o homenzinho gastou num certo Motel Caribe a soma de 2156 reais. Nesse motel, a diária de 24 horas custa 398 reais. A explicação da alta despesa é que o deputado deu ali uma festa tendo vários casais como convidados. Esse tipo de festa, em outras épocas menos politicamente corretas, se chamava suruba mesmo. E o quê que um senhor de 80 anos estaria fazendo nessa suruba é de se perguntar. Mas até aí não temos nada com isso. O problema todo é que ele cobrou da Câmara, portanto de nós contribuintes,  o reembolso dessa "despesa" a título de verba indenizatória. O fato de já existir essa tal verba indenizatória é um descalabro, mas isso fica para outro comentário. Pego com a mão da massa, ou a boca na botija, como queiram, declarou ter sido "um erro" e disse que vai devolver o dinheiro aos cofres públicos.
É preciso muita cara-de-pau de um lado e muita apatia do outro para que um caso como esse, não só seja possível, como ainda vá ficar por isso mesmo.
A dona Dilma o convidou para o ministério do Turismo, aquele que vai reger as obras da Copa e das Olimpíadas, portanto um ministério polpudo e com muita visibilidade em seu governo. Escolheu um velhote de 80 anos, do baixo clero da Câmara, só porque é apadrinhado de quem?
Advinhem! É só ir puxando o fio que do outro lado aparece um indefectível bigode. É ele mesmo, José Sarney é o padrinho, the Godfather. Essa Sarna está em todos os meandros de corrupção da política desse país. Como consegue se infiltrar em todos os cantos, sorrateiramente, sem barulho, como uma micose que gruda e jamais sai? Sarney é outro velhote, ou melhor, velhaco, que insiste em fazer parte do nosso deplorável quadro político.  Talvez não faça surubas em motéis. Prefere fazê-las no Congresso mesmo, a portas escancaradas, com transmissão televisiva. Ali temos que assistir a essa presença nefanda a urdir conchavos, acordos escusos, pressões, imposições, tudo em nome de uma governabilidade que nada mais é que uma máscara para o mais deslavado fisiologismo e para a mais indisfarçável corrupção. Nem uma despesa de 2 mil reais se deixa passar. Tudo tem que se açambarcado, apropriado, porque afinal o Estado lhes pertence.
Nisso tudo o que ainda mais espanta é que dona Dilma, se se enganou e convocou a pessoa errada, deveria imediatamente voltar atrás e desconvidá-lo. Mas, não, isso não pode ser feito porque não pode criar caso com o santo PMDB e é impensável desfeitear Sarney.
Infelizmente tudo isso nos sinaliza que nada vai mudar. A mulher que foi "enganada" por Erenice agora pede para ser "enganada' pelo velhaco do Turismo. Quem é que está enganando quem? Pobre Brasil!

Já vai tarde!

A morte do Quércia nos proporciona um momento de reflexão: a qualidade da política brasileira é como a lei da entropia, sempre tende a piorar.
Perto do que o PT (adversário ferrenho) aprendeu a fazer, Quércia pode ser considerado um reles amador. Ele e Sarney, depois da morte de Ulisses Guimarães, tomaram conta do que um dia foi um partido de oposição à ditadura militar e destruiram a alma desse partido transformando-o nesse espectro que aí está a nos assombrar. 
Não lamento sua morte e nem farei seu panegírico. A morte não redime ninguém de nada, ao contrário, torna definitivo tudo o que fizeram. Portanto, o Brasil não perde nada com sua ausência e que desapareça da nossa memória pois nada de bom ou de útil deixou para os seus conterrâneos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Natal com Hugo Chavez

Hoje, supostamente, era para se falar do Natal, de Paz, de Harmonia, mas não dá para ficar calado e passivo diante do que está acontecendo ao nosso lado, com os nossos irmãos venezuelanos. Hugo Chavez escancarou de vez a ditadura que mal conseguia disfarçar. Concedeu-se o direito de legislar por decreto por 18 meses. O projeto original era de 12, mas uma deputada mais realista que o rei propôs aumentar pra 18 meses e, (claro quem seria contra?), foi aprovado pela Assembléia Nacional.
Olhando a foto ao lado, os que tem um "pouco mais" de idade lembram-se de alguma coisa? Não parece repetição do mesmo velho e desgastado filme? só que com outros nomes e outros atores? Nesse país, há não muito tempo, tivemos a mesma luta; os "mesmos" estudantes sairam às ruas em protesto contra a ditadura militar e foram acompanhados pelos libertários de então: artistas, professores, intelectuais, pessoas da imprensa e até, pasmem, por gente que hoje se encontra ao lado de Chavez e sua nova velha ditadurazinha sulamericana.
Agora, entretanto, ao invés de levantarem sua voz em protesto, muitos "líderes",  libertários e progressistas em oposição à ditadura da época, se calam diante do absurdo que ocorre na Venezuela.
De uma figura como Lula, não se pode esperar mesmo muita coisa. Foi invenção de um general, o  Golbery do Couto e Silva, que o queria justamente para dividir a oposição à ditadura militar. O bruxo Golbery inventou o líder operário "confiável", assim como reinventou um PTB "de direita" com Ivete Vargas e tal. Hoje podemos dizer que o bruxo foi bem sucedido. Sua cria aí está, provando, para quem quer que seja, que o ex-líder operário pode ser tudo, menos oposição às ditaduras. Ao contrário, se tivesse encontrado um ambiente mais propício, uma democracia mais frágil, quem sabe? Não faltaram áulicos a insuflar idéias liberticidas, haja vista as várias tentativas de restaurar a censura, possibilitar um  terceiro mandato ou o tal Plano de "Direitos Humanos", tudo travestido sob a forma de uma democracia "popular" baseada nos índices de popularidade presidencial.
Agora que na Venezuela, fica tudo mais claro, talvez seja melhor para nós outros. Assim quem se calar ou defender a truculência chavista não terá desculpa alguma, estará assumindo a posição de inimigo da democracia.
Dá pena perceber que junto daqueles estudantes brasileiros, que sairam às ruas e tiveram a coragem de enfrentar a truculência militar no Brasil, havia tantos que só a queriam substituir por outra truculência.
Que haja Paz e Felicidade ao bravo povo venezuelano. Que busquem coragem e conforto na história, que nos mostra que todas as ditaduras tem um fim; e, quando os povos são corajosos, esses crápulas normalmente ainda pagam pelo que fizeram.

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