Na história do Brasil há uma epopéia muito triste e muito bonita ocorrida no Sul, na região das Missões jesuíticas. O filme "A Missão", com Robert De Niro e Jeremy Irons, nos conta uma parte dessa história, mas termina com a guerra e não prossegue o relato do heroísmo e dor vividos por aquele povo. Trata-se da história de Sepé Tiaraju, também conhecido como São Sepé.
Se tivesse sido reconhecido pelo vaticano, esse seria realmente o primeiro santo legitimamente brasileiro. Sepé era um índio guarani. Li sua história, ainda criança, em um almanaque cujo nome não recordo. Mas a história ficou em minha memória, pois era uma saga daquelas de deixar boquiaberto e cheio de fantasias, um menino de dez anos, numa época em que nem havia televisão direito.
Sepé vivia em paz com sua gente, numa belíssima região de rios e quedas d'água, em uma das Missões jesuíticas, ou Reduções, que era como os jesuítas as chamavam. Os jesuítas eram catequistas que hoje seriam apedrejados em praça pública por quererem "violar a inocência" do bom selvagem e "adulterar-lhes a cultura". Mas na época os jesuítas eram progressistas.
Enquanto os leigos, portugueses e espanhóis, só viam nos índios uma possível mão-de-obra escrava, os jesuítas defendiam-lhes a liberdade e trabalhavam para promover o desenvolvimento intelectual e cultural daqueles povos, ensinando-lhes... o catolicismo, claro, mas também a escrita, a aritmética, rudimentos de ciência, economia, música, ou seja, promoviam o ser humano para realizar-se em sua plenitude, o que é muito diferente de o deixar vagando pelos matos, picado de mosquitos, apanhando malária, morrendo ainda criança ou atingindo no máximo 30 anos e já encarquilhados como um velho de 90.
Fizeram esse trabalho com excelência nos Sete Povos das Missões. O problema é que estavam no caminho das duas potências imperialistas da época: Portugal e Espanha.
O Tratado de Madri reformulava a divisão das terras feitas pelo anterior Tratado das Tordesilhas. Ou seja, os poderosos se sentavam à mesa na Europa e dividiam o mundo entre si, sem perguntar nada a ninguém, como se fossem os donos incontestados da Terra.
Esse Tratado "devolveu" as terras onde estavam as missões a Portugal. A Espanha ganhou outras coisas em troca. Então foi requerido que os jesuítas e os guaranis deixassem a terra, perdendo inclusive 1 milhão de cabeças de gado que, na época, constituía o maior rebanho bovino das Américas! Eles se revoltaram e, juntamente com os jesuítas, resolveram enfrentar os portugueses e os espanhóis à bala. Aí começa a epopéia que durou 6 anos.
Sepé Tiaraju era um destemido chefe tribal, educado pelos jesuítas, que lutou com unhas e dentes, inspirando coragem e fé nos seus companheiros e teria dito aos colonizadores : "Esta terra tem dono!"
Morreu lutando, mas nesse momento nasceu uma lenda que ficou nas histórias dos pampas. Diz a lenda que ele tinha uma marca, um sinal de nascença, na testa, que brilhava nas noites escuras, ou quando ele estava em combate. Naquela última batalha o sinal (também chamado "lunar") brilhou mais forte e era um modo de ser reconhecido no calor e na poeira da luta. Mas esse sinal foi também a sua perdição. Era por ele que os inimigos procuravam. Sabiam que, morto Sepé, a resistência guarani acabaria. Quando finalmente o atingiram, ele foi arrebatado aos céus por S.Miguel e o sinal de sua testa passou a brilhar no céu, nas noites escuras do Rio Grande, tornando-se a constelação do Cruzeiro do Sul!
Com Sepé morreram os jesuítas da Missões e muitos sonhos. Pouco depois a Companhia de Jesus foi expulsa dos territórios portugueses, a começar pelo Brasil.
Agora, por ironia, a América do Sul propicia um jesuíta ao papado.
Notas:
- É considerado um santo popular, embora não canonizado pela Igreja.
- Há uma cidade gaúcha que se chama São Sepé.
- É nome de rodovia, aeroporto, escolas e emissoras de rádio.
- Vídeo sobre a Missão de S.Miguel
- Mistério de Sepé nos 250 anos de sua morte.
É cansativo falar da Dilma o tempo todo, mas ela não deixa que a gente mude de assunto. Agora é essa farra em Roma.
Em primeiro lugar, para quê tanta gente nessa "cometiva"? Quase todos são "revolucionários" marxistas e, por definição, ateus militantes. O quê que foram fazer na entronização do Papa?
A Dilma, ainda vá. É a Chefa de Estado, muito embora vários outros chefes de Estado tenham se considerado desobrigados dessa missão, como o presidente da França e o rei da Espanha, só para mencionar dois países latinos, de maioria católica e vizinhos da Itália. Não foram e mandaram representantes.
Mas nós, vizinhos do fim do mundo, não podemos perder essa "boquinha livre", né?
Mas levar aquela corrimaça de gente, fica até meio jeca, provinciano mesmo.
E todos, em grande estilo terceiro-mundista, ocuparam 52 quartos de hotel e alugaram 17 veículos. E para visitar um Papa que está pregando austeridade e simplicidade!!!
A embaixada brasileira está situada em um belíssimo monumento, o Palazzo Pamphili, localizado em dos mais belos pontos turísticos de Roma, a Piazza Navona. Mesmo assim, não foi considerado adequado para receber a "excelentíssima" presidenta, que preferiu gastar o dinheiro público em um dos hotéis mais sofisticados da cidade, ocupando ali 30 quartos. A "Folha" informa que só para levar as bagagens foram alugados um caminhão-baú e dois furgões. Eita, nós!
Outra pergunta-que-não-quer-calar é: o que fazia o Mercadante lá? Se ainda fosse o Gabriel Chalita, podíamos debitar à conta da beatice, mas o Mercadante? O quê o ministro da Educação faz numa comitiva em que só a chefa se encontrou com o Papa e mesmo assim por míseros 30 minutos?
Por essas e por outras é que se entende o apego dessa gente ao "pudê". Não estão alí para servir, mas para serem servidos. São os novos senhores de engenho. E, como não faziam parte da "zelite" não estavam acostumados com essas mordomias, que criticavam nos outros, mas depois que experimentaram, ah, que delícia! Quem quer largar esse osso? Vão fazer "o diabo" para continuarem lá.
Nova tragédia anunciada e periódica se abate sobre o Rio. Todo ano, na época das chuvas, ocorrem deslizamentos e mortes na região de Petrópolis. É como a seca no nordeste. A gente sabe que existe e, como não se faz nada para mudar a situação, o que resta aos passados, presentes e futuros flagelados é se lamentar e esperar pela próxima desgraça.
A culpa é da natureza implacável ou do homem que teima em desafiá-la? As encostas são perigosas, não se pode morar lá. Mas o que fazem nossas autoridades? Retiram as pessoas, oferecem-lhes alternativas de moradias, impedem que outros se instalem nesses locais? Não.
Fingem de cegas, surdas e mudas durante o ano inteiro e na hora em que as casas desabam, vêm para a televisão com caras falsamente compungidas lamentar o fato e prometer ajuda e soluções mirabolantes que jamais vão acontecer.
É claro que aí entra o governo federal também e libera mundos e fundos (mais fundos, que mundos) para "resolver" de vez o problema. Os fundos já se sabe onde vão parar. Em despesas nos restaurantes chiques de Paris onde os convidados brincam em volta da mesa com guardanapos na cabeça.
E agora a presidAnta ainda diz que a culpa é do povo que não quer sair do lugar onde não deveria estar. Ora, bolas. O Estado tem ou não tem o poder de polícia, de fazer cumprir as leis? Por que então permite que as pessoas decumpram as leis e as regras, expondo sua própria vida? O Estado gosta tanto de interferir na vida do cidadão a ponto de querer dizer até se um pai pode ou nao dar uma boa palmada na bunda de seu filho. Por que numa hora dessas o Estado não está lá, presente, exercendo sua função e impedindo que as pessoas estejam onde não deveriam estar?
A presidAnta diz ainda que vai tomar medidas drásticas. Não tome não, dona Dilma! Em 2011 a Sra. disse que ia tomar medidas drásticas e os desabrigados daquela época estão sem moradia até hoje. Nenhuma das casas prometidas, para as quais o governo federal liberou 545 mihões, ficou pronta!
É por causa da omissão e da ausência do Estado que tragédias como essa, como a de Santa Maria, e várias outras acontecem.
Infelizmente a maior tragédia desse país é ter a classe política que temos, com muito, mas muito, raras exceções.