sábado, 10 de maio de 2014

Auto-imagem

Apesar do eterno complexo de vira-latas, não exorcizado nem por cinco títulos mundiais, o brasileiro tem uma auto-imagem em geral positiva. Gostamos de nos ver como um povo afável, pacífico, de fácil relacionamento, aberto às novidades, sensual e maroto. Acreditamos ser gentis, cordiais, alegres, brincalhões, talvez um pouco descompromissados mas isso até faz parte da nossa "leveza". Somos ligados à família, aos amigos, somos irreverentes, informais, descontraídos. Alguns estrangeiros chegam a pensar isso de nós também. Esse seria o retrato do "brasileiro médio".
Até que ponto esse retrato corresponde à realidade? Somos afáveis, cordiais, gentis? Então explique-se o linchamento dessa pobre Fabiane no Guarujá, o assassinato do menino Bernardo Boldrini por sua madrasta, o de Isabella Nardoni por seu pai e pela madrasta, o dos pais da Suzane Richthoffen, o da atriz Daniella Perez por sua colega de trabalho e por aí vai. 
Esses são apenas os casos rumorosos, que dão assunto para a mídia. No anonimato, entretanto, temos dados estatísticos assustadores, como o número de homicídios por ano, que já passa de 50 mil e representa 30% de todos os homicídios da América Latina. Em 2012 o número de homicídios no Brasil já representava 11% do total mundial, ou seja, de cada 10 pessoas assassinadas no mundo, uma é brasileira. Como diz Olavo de Carvalho:"A taxa anual de homicídios no Brasil significa, pura e simplesmente, que não há ordem pública, não há lei nem direito, não há Estado, não há administração, há apenas um esquema estatal de dar emprego para vagabundos, sanguessugas, farsantes. O Estado brasileiro é uma instituição de auto-ajuda dos incapazes.
Isso é equivalente a 3 guerras do Iraque por ano. Mata-se mais no Brasil do que na Faixa de Gaza ou na guerra civil da Síria.
Segundo o Escritório para Drogas e Crime da ONU (UNODC), estamos em 12º lugar no mundo em número anual de homicídios para cada 100 mil habitantes.
André Singer toca no mesmo assunto em sua coluna publicada hoje na Folha e conclui admitindo que não entende a razão do fenômeno.
Penso porém que, mesmo que as causas subjacentes à violência sejam várias e de difícil equacionamento, há uma causa comum que, se não produz violência por si só, pelo menos permite que ela se manifeste sem peias. É a ausência do Estado. O Estado brasileiro, privatizado em favor de grupelhos e oligarquias, está ausente da vida da maioria dos cidadãos. A presença do Estado só é percebida quando se trata de nos extorquir impostos ou quando seus funcionários usam a posição e o poder para achacar as pessoas. Quando o cidadão precisa do Estado para tratar da sua saúde, se locomover, educar seus filhos, aposentar-se com dignidade, não o encontra. Esse mesmo Estado é o que está presente nas áreas onde não é necessário: refinarias de petróleo, instituições financeiras, fundos de pensão e estádios de futebol!
Em todos os lugares e em todas as épocas em que o Estado, sob quaçquer forma, se omitiu, instituiu-se a anarquia e a desordem social.
Infelizmente é o que está acontecendo no Brasil. Aqui, quem está substituindo o Estado em áreas cada vez mais amplas é o crime organizado do narcotráfico.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Falastrão Irresponsável

Lula fala qualquer coisa, sem compromisso algum com a coerência. Lula fala qualquer coisa, sem compromisso algum com a verdade. Lula fala qual-quer-coi-sa!!! E não se preocupa com as consequências, com a  contradição, com o respeito aos seus adversários ou às instituições. Não se preocupa nem mesmo com o ridículo.
Lula conta com a falta de memória e com o baixo nível de cidadania do nosso povo, que ainda não aprendeu a exigir dos governantes um mínimo de responsabilidade e de consistência no discurso e nas atitudes. 
A falta de caráter de Lula fica mais clara quando relembramos alguns momentos. Vejam os vídeos abaixo:
                                       ANTES     

                                     DEPOIS


Só mais esse basta!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A transparência do governo Dilma

Em um país sério, ou mesmo no Brasil de alguns anos atrás, seria impensável fazer o que o governo está fazendo no Congresso para impedir a instalação e o funcionamento das CPI's da Petrobras. Diante do absurdo de tanto indício de fraude e de roubalheira, com um ex-diretor dessa empresa trancafiado na cadeia e um outro tendo sido exonerado pela própria presidente, que disse ter sido enganada por ele quando era presidente do conselho da estatal, em outros tempos em hipótese alguma o governo se mexeria tão acintosamente para esconder as coisas.
Só de tentar impedir a instalação da CPI isso já é um forte indicador de culpa. Se a presidenta diz que foi enganada por um relatório "falho", deveria ser ela a primeira a querer a apuração completa dos fatos. Ainda mais sabendo que o caso repetiu-se com o mesmo "modus operandi" na compra de outra refinaria, a de Nansei no Japão.
Houve o mesmo relatório "falho" e fez-se a negociata igualmente prejudicial à Petrobras. Mais um prejuízo bilionário para ser bancado pelos acionistas e pelo povo brasileiro.
Agora está bem claro porque o PT tinha pavor que a Petrobras fosse privatizada. Não era só para usá-la como cabide de empregos, nem para dividir o domínio feudal entre os apoiadores da base aliada. Quanto mais estatais houvesse, mais amplo e propício seria o ambiente para as maracutaias. Para eles seria o máximo se as empresas de telecomunicações ainda constituissem uma grande empresa estatal.
Agora jogam todas as cartas, usam de todos os recursos, descaradamente, para dizer ao povo brasileiro que não podem deixar que a maior empresa do país, patrimônio público, seja investigada. E encontram, claro, um lacaio da pior estirpe, como o Sr. Renan Calheiros, para fazer aquilo que o governo quer e precisa que seja feito no sentido de embolar os trabalhos e não se apurar nada. 
Dizem os cínicos que isso faz parte do jogo. Sim, faz parte do jogo deles. Do jogo em que eles fazem as regras, eles dão falta no adversário e eles mesmos fazem gol de mão. Essa é a transparência do governo Dilma.

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