Tem hora que o Brasil dá uma preguiça! Êta país cansativo! Anda pra lá, anda pra cá e nunca sai do mesmo lugar. Num momento é uma inflação descabelada, absurda, paralisante, como a que durou por aqui por mais de 30 anos.
Outra hora, é a economia como um todo, que patina. Nos anos 80 tivemos uma década perdida. Agora, tudo indica que estamos indo pra outra.
E ainda há as crises políticas, das pequenas, das médias e das grandes.
De 25 em 25 anos o Brasil passa por uma crise de grandes proporções. Só de constituições, já tivemos 7, em nossos menos de 200 anos de independência. A primeira, em 1824, foi "outorgada" pelo Imperador, portanto nascida ilegítima após um golpe de Estado, em que o D. Pedro I dissolveu a Assembleia e mandou prender vários constituintes. Entretanto, foi a que mais tempo durou.
Na República, tivemos a segunda Constituição, promulgada em 1891 e nove meses depois de sua promulgação, o primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, deu um golpe e fechou o Congresso. E 20 dias depois foi obrigado a renunciar. Como se vê, começamos bem.
Depois, passamos pelas Constituições de 34, 37, 46 e 67, até chegarmos à atual Constituição de 1988. E, no intervalo entre elas, uma série interminável de golpes e contragolpes, além de períodos em que não houve constituição alguma em vigor, como, por exemplo, entre 1930 e 34. É muita coisa para uma nação em tão pouco tempo.
Só como comparação, a constituição americana vigora desde 1789, ininterruptamente.
Agora estamos, de novo, em plena crise política, talvez a maior da nossa história, misturada com uma baita crise econômica, ambas sem perspectiva de terminarem tão cedo. Novamente, as questões básicas como educação e saúde, ficam pra depois. Estamos sempre adiando o futuro, que jamais é alcançado. É cansativo viver em um país assim.
domingo, 2 de julho de 2017
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Togas na lama
De vez em quando, murcha um pouco a esperança que a gente tinha de que esse país iria ser passado a limpo. Essas recentes decisões, a absolvição de João Vaccari e a restituição do mandato ao Aécio, são dois maus exemplos de que a reação à Lava Jato tem conseguido vitórias importantes. Tudo isso, sem falar na reação, aberta e frontal, que Gilmar Mendes vem comandando de cima de suas cadeiras, no Supremo e no TSE.
É a reação de quem quer preservar o velho, o antigo regime, o regime de benefícios e privilégios a uma casta, enquanto o restante da população só tem deveres e contas a pagar.
É por isso que chegamos a essa situação: um país rico com um povo pobre e ignorante. A esquerda sempre atribuiu esse descompasso social aos interesses imperialistas. Se fosse assim, estaria fácil a solução. Depois de 8 anos de governos petistas, não teríamos mais a tal influência imperialista e todos estaríamos no paraíso.
Isso é a lenda. A realidade é que não há influência imperialista alguma. O que há é que os donatários das capitanias hereditárias estão ainda por aí. São eles que mandam e desmandam. Antes, esses donatários eram escolhidos por el-Rey, dentre as famílias a quem interessava cooptar ou adular, em troca de apoio à Coroa.
Agora, são escolhidos pelos poderosos de plantão, entre as empresas com as quais interessa trocar favores. E o sistema funciona para protegê-los, de ambos os lados do balcão de negócios.
O mais nojento de tudo é ver o poder Judiciário fazendo parte desse teatro, dessa trágica peça terceiro-mundista. As togas ficam ainda mais ridículas nas costas de pessoas com as caras de Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio. Provocam vergonha alheia.
Tudo o que se fez na Lava Jato está sendo desfeito - despistadamente, mas está - quando os processos chegam aos "altos escalões da República". É um triste país, esse que não consegue sair da lama. E coitado do seu povo.
É a reação de quem quer preservar o velho, o antigo regime, o regime de benefícios e privilégios a uma casta, enquanto o restante da população só tem deveres e contas a pagar.
É por isso que chegamos a essa situação: um país rico com um povo pobre e ignorante. A esquerda sempre atribuiu esse descompasso social aos interesses imperialistas. Se fosse assim, estaria fácil a solução. Depois de 8 anos de governos petistas, não teríamos mais a tal influência imperialista e todos estaríamos no paraíso.
Isso é a lenda. A realidade é que não há influência imperialista alguma. O que há é que os donatários das capitanias hereditárias estão ainda por aí. São eles que mandam e desmandam. Antes, esses donatários eram escolhidos por el-Rey, dentre as famílias a quem interessava cooptar ou adular, em troca de apoio à Coroa.
Agora, são escolhidos pelos poderosos de plantão, entre as empresas com as quais interessa trocar favores. E o sistema funciona para protegê-los, de ambos os lados do balcão de negócios.
O mais nojento de tudo é ver o poder Judiciário fazendo parte desse teatro, dessa trágica peça terceiro-mundista. As togas ficam ainda mais ridículas nas costas de pessoas com as caras de Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio. Provocam vergonha alheia.
Tudo o que se fez na Lava Jato está sendo desfeito - despistadamente, mas está - quando os processos chegam aos "altos escalões da República". É um triste país, esse que não consegue sair da lama. E coitado do seu povo.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Temer: herança maldita
O americanos chamam de pato manco ("lame duck") ao presidente em final de exercício de mandato, quando já não manda nada; e nem os garçons lhe servem mais um cafezinho.
E o que é Michel Temer nessa altura do mandato senão um grande, enorme, exuberante, pato manco? O mandato ainda não está no fim. Ou está? Ninguém sabe, mas em qualquer circunstância, Michel Temer já não manda nada.
Michel Temer agora é um refém da Câmara. Dela agora depende o seu futuro, o seu foro privilegiado e seu próprio mandato. Que vai sangrá-lo até obter todo o butim ainda possível de ser obtido.
Após a denúncia de Janot, o governo Temer acabou. O que veremos daqui pra frente é um país em frangalhos, sofrendo, ansiando por uma liderança impossível, e tendo que assistir o tempo passar, até que 2018 chegue com suas novas, e mesmo assim, parcas, esperanças. E Michel Temer não terá a grandeza de renunciar. Jamais! Vai lutar com unhas e dentes para continuar sentado naquela cadeira, que o afasta de Sérgio Moro. E que se dane o país!
Temer jamais foi um gigante no espectro político. Ao contrário, sempre foi um anão. Sempre foi um homem de conchavos, de conversinha, de acertos de bastidores. Foi jogado ao proscênio da política, pelo PT, que precisava cooptar o PMDB para fazer as falcatruas que fez. Temer é a herança maldita do PT. Não podemos esperar agora, que esse anão político tenha um gesto de grandeza.
Temer foi um acidente de percurso. Em nenhuma outra circunstância, chegaria à presidência da República e sequer ao Senado. A Câmara é o seu habitat. A acomodação dos interesses do quadro partidário a sua força. Fora isso, não existiria o político Michel Temer. Mas, também não passa disso e só chegou à presidência pelas artes, ou melhor, pelas bruxarias do dono e senhor absoluto do PT. A vida política de Michel Temer está no fim. Vamos ver quanto tempo dura um pato manco.
E o que é Michel Temer nessa altura do mandato senão um grande, enorme, exuberante, pato manco? O mandato ainda não está no fim. Ou está? Ninguém sabe, mas em qualquer circunstância, Michel Temer já não manda nada.
Michel Temer agora é um refém da Câmara. Dela agora depende o seu futuro, o seu foro privilegiado e seu próprio mandato. Que vai sangrá-lo até obter todo o butim ainda possível de ser obtido.
Após a denúncia de Janot, o governo Temer acabou. O que veremos daqui pra frente é um país em frangalhos, sofrendo, ansiando por uma liderança impossível, e tendo que assistir o tempo passar, até que 2018 chegue com suas novas, e mesmo assim, parcas, esperanças. E Michel Temer não terá a grandeza de renunciar. Jamais! Vai lutar com unhas e dentes para continuar sentado naquela cadeira, que o afasta de Sérgio Moro. E que se dane o país!
Temer jamais foi um gigante no espectro político. Ao contrário, sempre foi um anão. Sempre foi um homem de conchavos, de conversinha, de acertos de bastidores. Foi jogado ao proscênio da política, pelo PT, que precisava cooptar o PMDB para fazer as falcatruas que fez. Temer é a herança maldita do PT. Não podemos esperar agora, que esse anão político tenha um gesto de grandeza.
Temer foi um acidente de percurso. Em nenhuma outra circunstância, chegaria à presidência da República e sequer ao Senado. A Câmara é o seu habitat. A acomodação dos interesses do quadro partidário a sua força. Fora isso, não existiria o político Michel Temer. Mas, também não passa disso e só chegou à presidência pelas artes, ou melhor, pelas bruxarias do dono e senhor absoluto do PT. A vida política de Michel Temer está no fim. Vamos ver quanto tempo dura um pato manco.
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