domingo, 6 de maio de 2018

Progressão de pena a jato

O país está acabando e tem gente fazendo força pra isso. Essa segunda gangue, digo, segunda turma do Supremo está preparando um forte pontapé no traseiro de todos nós, em direção ao abismo. Há a suspeita de que eles concederão prisão domiciliar ao bandido de nove dedos, o chefa da quadrilha, o capo dei tutti i capi.

Se isso acontecer, mais uma vez fica estatelado na cara de todos os brasileiros, que somos realmente um país de castas. Tivesse a esquerda um mínimo de honestidade intelectual e ideológica, deveriam ser os primeiros a recusar privilégios. O que se vê na "vida real" é que são os primeiros a clamar, a reivindicar, por eles.

Se há que se conceder um benefício extraordinário ao Lula, qual seja, um regime de progressão de pena instantâneo, por que aos demais apenados não se concede o mesmo benefício?

Ou será que há um medinho escondido aí? Medo da vingança do capo mafioso? Ou medo de o capo entregar coisas cabeludonas dos bastidores dos podres poderes, incluindo aí, obviamente, os bastidores do poder judiciário?

Um presidente da República sabe de muita coisa e, especialmente, sabe de muita tramóia. Como é que se indicam os ministros do Supremo, por exemplo? Quais são as barganhas acertadas entre as partes? Quais e de que tamanho são os rabos que se deixam presos na gavetas, como garantia de que os "acordos" serão cumpridos?

Essas e muitas outras perguntas passarão pela cabeça dos brasileiros, eternos pagadores das contas dos outros, se mais esse golpe nas instituições for perpetrado pelos senhores ministros. Já não basta o golpe que deram, sob o comando de Lewandowski, alterando na marra o texto constitucional, para deixar a Dilma livre para disputar eleições. Daqui a pouco, livram o Lula não só da cadeia, mas o liberam para concorrer de novo à presidência.

Eles gostam de brincar com fogo. Ou então, não tem alternativa. Vá saber!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

País de ladrões

Na semana passada, tive um  vidro do carro quebrado para roubarem uma mochila que estava no porta-malas. Nessa mesma sexta, quase no mesmo horário, vencia o prazo, condescendentemente concedido pelo juiz Sérgio Moro, para que um ladrão, que esteve ocupando a presidência da República, se entregasse à Justiça. São dois extremos de um mesmo fenômeno: somos um país de ladrões?!

Com certeza, boa parte do povo brasileiro não é, mas vale a pena refletirmos sobre o que  faz com que, na nossa cultura, esteja tão disseminado esse desrespeito ao direito do outro, à propriedade do outro, à vida do outro.

Valores morais e civilizatórios se adquirem em casa, no berço. Uma parte do nosso povo não tem a minima condição de viver com dignidade; nesse ambiente e nessa situação, a adoção de valores morais e civilizatórios soa mais como piada. Mas isso não explica tudo. Isso não explica porque alguém que ,por exemplo, frequente uma academia de classe média alta, tenha que trancar todos os seus pertences com cadeado. E, se não o fizer, com bastante probabilidade será roubado. Isso significa que o ato de furtar não tem sanção interna, o superego o ignora. E o superego é formado pela sanção cultural. É a cultura onde você foi criado e na qual vive que determina os padrões morais de seu comportamento, o que é certo e o que é errado.

A cultura brasileira, muito bem retratada e representada pela cultura carioca, sempre foi permissiva, leniente com as "espertezas". Alguns sociólogos de araque chegaram até a justificar essa permissividade como uma reação das "classes exploradas ao controle das classes dominantes".  Roubar e enganar o outro, desrespeitar o espaço publico, seria uma forma de rebelião contra a "exploração capitalista".

Pois é, deu no que deu. As prisões superlotadas, a marginalidade crescendo exponencialmente, as classes exploradas sendo mais que exploradas, escravizadas, pela nova classe dominante delas: o crime organizado do tráfico; e a violência assustadoramente crescente. 

Nada acontece por acaso. O assassinato da vereadora Marielle Franco, não importa se quem a matou seja das milícias ou do tráfico, esse assassinato, repito, é mais uma consequência de tudo isso. É mais uma consequência da nossa tolerância com as infrações, com o desrespeito às regras.

Daí a chegarmos ao quadro político que chegamos foi apenas uma questão de tempo. Que lugar ou posição seria melhor para os delinquentes ocuparem se não uma posição de poder? De controle da máquina e do dinheiro público? Esse afã de ser eleito e reeleito nada tem a ver com a vontade de servir. Tem a ver coma vontade de se servir, ou como dizia o Pe. Antônio Vieira a respeito dos administradores públicos: "eles não querem o nosso bem, eles querem os nossos bens".




quarta-feira, 18 de abril de 2018

O Brejo

Há pouco tempo, Cora Rónai escreveu uma crônica excepcional a
que deu o título "A caminho do Brejo" e, na qual, explicitava os motivos pelos quais o Brasil estava indo pro Brejo.

Pois bem, já não estamos mais indo pro Brejo, já chegamos nele e estamos nos atolando rapidamente. A deterioração do país é visível e perceptível dia a dia. O Rio de Janeiro, por exemplo, está sob intervenção e, nem mesmo assim, a segurança melhora. Ao contrário, parece que, desde que se decretou a intervenção, o crime organizado resolveu enfrentar o aparato estatal-militar e dizer: aqui não! Aqui é nosso território e vocês não mandam.

O paquidérmico estado brasileiro nem de longe consegue enfrentar essas milícias e "comandos" do tráfico. O assassinato da vereadora Marielle foi uma resposta brutal, um recado direto às autoridades, a mostrar que o crime organizado na base da pirâmide social está se tornando incontrolável. E isso acontece porque o crime organizado no topo da pirâmide social extrapolou todos os limites.

A impunidade tolerada até agora pela sociedade brasileira nos levou a isso. Ficamos imprensados entre o crime organizado de baixo e o de cima. Além disso e também por conta disso, as instituições estão se esboroando, ruindo de modo espetacular. Já nenhum dos 3 poderes é mais respeitado no país.O parlamento é considerado um covil de ladrões, o executivo é apenas uma extensão dele e agora o Supremo passou a ser visto pela população como mais um coadjuvante nessa ópera macabra que se transformou a vida política da nação.

Nesse momento, muitos se voltam para as forças armadas! Mas o que podem fazer as forças armadas subordinadas a esse executivo degenerado e corrupto? Só existe uma possibilidade de as forças armadas representarem uma salvação: é não se submeterem mais ao poder executivo. Isso significa golpe, não há outra definição.

Outra possibilidade é afundarmos nesse brejo até a desagregação social. Em outras palavras, até a anarquia e a selvageria. Estamos entre 2 opções muito difíceis.

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