Que novidade! A última pesquisa Datafolha nos informa que a Dilma caiu mais um pouco. Agora estaria com 34% das intenções de voto. É muito! Penso que as intenções de voto fora das amostragens são ainda piores, ou melhores, depende do ponto de vista. Nem mesmo os petistas mais empedernidos que conheço votam na Dilma com gosto! Esses, de carteirinha, votam obrigados, mas prefeririam uma outra pessoa, além do "hors concours", claro! Como não é o Lula, nem algum outro mais ou menos palatável, vão votar na Dilma mesmo, mas será um voto cabisbaixo, sem alegria e sem esperança. Enfim, um voto sem militância.
Portanto arrisco um palpite: a Dilma vai perder no primeiro turno! Não adianta espernear, nem contratar marqueteiros a peso de ouro, porque quando o barco começa a virar não tem volta. Estamos na ante-sala das eleições, já não há mais tempo para recuperar a popularidade perdida. O horário eleitoral, que dará exposição aos candidatos da oposição, ainda nem começou e portanto eles ainda são ilustres desconhecidos da maioria do povão.
Isso tudo, somado e dividido, me leva a crer que daqui pra frente será só ladeira abaixo para a dona Dilma. O Moluco saiu da toca, fez umas aparições pirotécnicas ao seu estilo, para marcar presença, falou besteira e desapareceu dentro da toca de novo. Esse pode ser tudo, mas não é bobo. Na hora em que a Dilma menos esperar passa-lhe a perna sem dó nem piedade.
Com o barco afundando, as demais ratazanas se preparam para saltar fora logo. Michel Temer, por exemplo, não pode explicitamente pular fora do barco, mas através de seus comandados, subitamente transformados em rebeldes, já põe os dois pezinhos no convés alheio. Jangadas salvadoras não faltam por aí.
Resta saber como vai se comportar a oposição. Apesar de todo o pragmatismo que norteia as decisões políticas, é preciso que a oposição se dê conta de que estamos em um momento de definição. O povo brasileiro quer algo novo, o povo quer romper com a velha política de compadrio. Pragmatismo nenhum justificaria, por exemplo, aceitar-se o apoio do PP do Maluf. Que a oposição entenda isso, para que possamos ainda ter alguma esperança na política. Do contrário será a barbárie.
sábado, 7 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
A Copa é nossa!
Copa do Mundo, estamos aí! Uma euforia quase obrigatória vai tomar conta das pessoas nas ruas. Carros embandeirados, gente com camisa da seleção, perucas verdes e amarelas. Cornetas, trombones, vários instrumentos de sopro e percussão soam perfurando os tímpanos de quem está por perto. Até caxirolas, apesar de banidas dos estádios, aparecem sendo vendidas pelos camelôs nas esquinas. Tudo é festa!
Mas apesar das aparências, não se pode esconder que ressurge também aquele velho conhecido, o complexo de vira-latas, tão bem diagnosticado por Nélson Rodrigues.
Sendo a Copa aqui, esse complexo fica ainda mais pungente. Queremos mostrar aos gringos que somos os mais espontâneos, os mais alegres, os mais descontraídos, os mais simpáticos, os mais isso e mais aquilo. Essa ânsia de "provar" o valor de ser brasileiro nada mais é que o velho complexo de vira-latas renascido com outra roupagem.
É que no fundo sabemos que essa fachada que queremos fazer passar por verdadeira é uma grande balela! Não somos nada disso. Somos um povo violento. Isso, sim. Estão aí as estatísticas a nos esfregar na cara essa realidade. Somos um povo mal-educado. As latinhas de cerveja atiradas pelas janelas dos carros o comprova. Somos desorganizados, não sabemos planejar, levamos tudo na brincadeira ou na base do famigerado "jeitinho". Aceitamos a corrupção endêmica e institucionalizada como se fosse um fato da natureza. A lei de Gérson nunca foi revogada e vigora em todo seu esplendor. É cada um para si e Deus contra! Esse deveria ser o lema nacional, ao invés da Ordem e Progresso da nossa bandeira.
Como não podemos esconder a triste realidade das crianças e adolescentes de rua, dos mendigos dormindo ao relento, das cracolândias, dos assaltos, do lixo e sujeira das ruas e calçadas, da prostituição de menores e também dos pequenos golpes como o do taxista que encomprida o caminho, dos flanelinhas que "vendem" vagas de estacionamento na rua, dos bares e restaurantes que aumentam a conta, e assim por diante, temos que inventar uma superioridade em alguma coisa, como compensação.
Senão, como olhar para um alemão, um inglês, um francês, sem baixar os olhos com vergonha? Se até mesmo uma Argentina, coitada, chega a nos provocar uma certa inveja...
Nosso complexo de vira-latas exige essa compensação. Então, tome espontaneidade, tome simpatia, tome descontração, mesmo que falsos. E tudo continua como antes no quartel de Abrantes.
Mas apesar das aparências, não se pode esconder que ressurge também aquele velho conhecido, o complexo de vira-latas, tão bem diagnosticado por Nélson Rodrigues.
Sendo a Copa aqui, esse complexo fica ainda mais pungente. Queremos mostrar aos gringos que somos os mais espontâneos, os mais alegres, os mais descontraídos, os mais simpáticos, os mais isso e mais aquilo. Essa ânsia de "provar" o valor de ser brasileiro nada mais é que o velho complexo de vira-latas renascido com outra roupagem.
É que no fundo sabemos que essa fachada que queremos fazer passar por verdadeira é uma grande balela! Não somos nada disso. Somos um povo violento. Isso, sim. Estão aí as estatísticas a nos esfregar na cara essa realidade. Somos um povo mal-educado. As latinhas de cerveja atiradas pelas janelas dos carros o comprova. Somos desorganizados, não sabemos planejar, levamos tudo na brincadeira ou na base do famigerado "jeitinho". Aceitamos a corrupção endêmica e institucionalizada como se fosse um fato da natureza. A lei de Gérson nunca foi revogada e vigora em todo seu esplendor. É cada um para si e Deus contra! Esse deveria ser o lema nacional, ao invés da Ordem e Progresso da nossa bandeira.
Como não podemos esconder a triste realidade das crianças e adolescentes de rua, dos mendigos dormindo ao relento, das cracolândias, dos assaltos, do lixo e sujeira das ruas e calçadas, da prostituição de menores e também dos pequenos golpes como o do taxista que encomprida o caminho, dos flanelinhas que "vendem" vagas de estacionamento na rua, dos bares e restaurantes que aumentam a conta, e assim por diante, temos que inventar uma superioridade em alguma coisa, como compensação.
Senão, como olhar para um alemão, um inglês, um francês, sem baixar os olhos com vergonha? Se até mesmo uma Argentina, coitada, chega a nos provocar uma certa inveja...
Nosso complexo de vira-latas exige essa compensação. Então, tome espontaneidade, tome simpatia, tome descontração, mesmo que falsos. E tudo continua como antes no quartel de Abrantes.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Sem futuro
Não sei se é verdade. Circula na internet, nas redes sociais, um texto atribuído ao desembargador Rogério Medeiros. Nele, o desembargador contaria que como juiz da infância e da juventude em Montes Claros, ao prender pela enésima vez três jovens menores delinquentes reincidentes, foi procurado por "defensores" dos direitos humanos que ameaçaram denunciar o juiz à Corregedoria se não mandasse soltar os jovens. O juiz então lhes teria proposto uma solução: mandaria soltar os jovens com a condição que eles, os defensores dos direitos humanos, os levassem para casa e se responsabilizassem pelos menores judicialmente. Advinhem o que aconteceu?...
Essa é a grande questão. Seja verdadeiro ou apócrifo, o texto citado nos leva a refletir: essas ONG's e esses auto-intitulados defensores dos direitos humanos estão realmente interessados na defesa desses direitos e em melhorar as condições de vida sub-humanas em que padecem milhares de jovens pelas ruas das nossas cidades, ou seu interesse é apenas fazer politicagem?
Esses "defensores" dos direitos humanos chegam a propor alguma coisa de concreto que possa ajudar a solucionar o problema? Será que os direitos humanos desses menores infratores terminam quando eles deixam a porta da cadeia? São muitas as perguntas sem resposta.
A solução, evidentemente, não é simplesmente pô-los na cadeia. Será que é tão difícil para as instituições do Estado, recolher esses jovens, assumir o pátrio-poder, dar-lhes um mínimo de dignidade, escola, higiene, socialização, profissionalização, enfim, dar-lhes um futuro?
Omitindo-se o Estado em cumprir suas obrigações, não é também simplesmente ficando "livres" desses menores que a solução será encontrada, porque, depois de soltos, daí em diante quem "cuida" deles é o traficante, o crime organizado, a quem eles são obrigados a servir.
Portanto ao lutarem para que o Estado "liberte" esses jovens, o que esses "defensores" dos direitos humanos estão fazendo, conscientemente ou não, é aumentar a oferta de mão de obra escrava ao crime organizado. Ao deixá-los à solta e sob o domínio do crime organizado o Estado também comete por sua vez outro crime, o da negligência.
No texto em questão, o desembargador estaria fazendo uma sugestão. A de se criar o programa "Adote um preso". Assim os defensores dos direitos humanos, poderiam por em prática aquilo que defendem e ajudariam a solucionar dois problemas de uma só vez: o da superlotação carcerária e o do amparo a esses cidadãos carentes.
Não chego a esse ponto, mas eu gostaria realmente que tivéssemos gente que diz defender os direitos humanos, menos interessada na propaganda política e ideológica e mais interessada em promover e transformar essas crianças e adolescentes carentes em cidadãos plenos e com um futuro possível pela frente.
Essa é a grande questão. Seja verdadeiro ou apócrifo, o texto citado nos leva a refletir: essas ONG's e esses auto-intitulados defensores dos direitos humanos estão realmente interessados na defesa desses direitos e em melhorar as condições de vida sub-humanas em que padecem milhares de jovens pelas ruas das nossas cidades, ou seu interesse é apenas fazer politicagem?
Esses "defensores" dos direitos humanos chegam a propor alguma coisa de concreto que possa ajudar a solucionar o problema? Será que os direitos humanos desses menores infratores terminam quando eles deixam a porta da cadeia? São muitas as perguntas sem resposta.
A solução, evidentemente, não é simplesmente pô-los na cadeia. Será que é tão difícil para as instituições do Estado, recolher esses jovens, assumir o pátrio-poder, dar-lhes um mínimo de dignidade, escola, higiene, socialização, profissionalização, enfim, dar-lhes um futuro?
Omitindo-se o Estado em cumprir suas obrigações, não é também simplesmente ficando "livres" desses menores que a solução será encontrada, porque, depois de soltos, daí em diante quem "cuida" deles é o traficante, o crime organizado, a quem eles são obrigados a servir.
Portanto ao lutarem para que o Estado "liberte" esses jovens, o que esses "defensores" dos direitos humanos estão fazendo, conscientemente ou não, é aumentar a oferta de mão de obra escrava ao crime organizado. Ao deixá-los à solta e sob o domínio do crime organizado o Estado também comete por sua vez outro crime, o da negligência.
No texto em questão, o desembargador estaria fazendo uma sugestão. A de se criar o programa "Adote um preso". Assim os defensores dos direitos humanos, poderiam por em prática aquilo que defendem e ajudariam a solucionar dois problemas de uma só vez: o da superlotação carcerária e o do amparo a esses cidadãos carentes.
Não chego a esse ponto, mas eu gostaria realmente que tivéssemos gente que diz defender os direitos humanos, menos interessada na propaganda política e ideológica e mais interessada em promover e transformar essas crianças e adolescentes carentes em cidadãos plenos e com um futuro possível pela frente.
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