terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sangrias

A dona Dilma, pasmem, depois de toda essa história macabra da Petrobrás (história, aliás, que ela mesma ressuscitou ao afirmar que havia tomado a decisão de autorizar a compra da refinaria Pasadena, com base em relatório "falho") é capaz de dizer certas coisas, como disse em entrevista ao Estadão, de fazer corar qualquer cafetina calejada.
Eis o que derramou a gerentona: "Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas".

É nos chamar a todos nós, os brasileiros, de palhaços!
Ela, a presidente da República em pleno exercício do cargo confirma que sabe das sangrias na Petrobras. Se não, ia estancar o quê?
Ela, a presidente da República em pleno exercício do cargo informa que estancou as sangrias.
Não há malabarismo lógico capaz de inverter os argumentos acima. Pois então, como consequência, podemos e devemos fazer as perguntas abaixo, e ela, a presidente da República em pleno exercício do cargo, fica a nos dever as respostas a essas perguntas:

  1. Quais eram as sangrias existentes na Petrobras que Sua Excelência estancou?
  2. Qual era o valor dessas sangrias? Em outras palavras, quanto foi roubado?
  3. Quem sangrou a Petrobras? Em outras palavras, quem foram os ladrões?
  4. Quais as providências que Sua Excelência tomou para estancar as sangrias?
  5. Quais as providências que Sua Excelência tomou para punir os sangradores?
Bastam essas poucas perguntas, que jamais serão respondidas pela dona incompetente e leviana, cuja imagem foi falsamente construída como a de uma gerente durona e eficaz. Ela transitou por todos os órgãos de controle, ministério das Minas e Energia, presidência do Conselho de Administração da Petrobras, ministra da Casa Civil e, agora, não tem responsabilidade sobre as sangrias que disse ter estancado.
Então surge a questão: para quê existem órgãos de controle das empresas estatais? Não seria, então, melhor acabar com todos eles e economizar um pouco para compensar uma parte das sangrias que acabam ocorrendo de qualquer maneira?
E esse país, vai acordar algum dia de seu sono profundo ou é preciso que alguns black blocs mascarados tenham que fazer o papel que cabe a nós, os cidadãos, de impedir que essa corja continue a nos sangrar todos os dias?




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

De bilhões e bilhões

A política brasileira é um troço. Pode ser grosseiro definir assim, mas não há outro termo para qualificar esse jogo de enganação em que os supostos representantes da sociedade nos enredam. O que a revista "Veja" publica nessa semana é estarrecedor. É óbvio que os envolvidos vão negar até a morte e, como o chamado direito de defesa no Brasil pode ser esticado ao infinito, vão todos continuar impunes. Está aí o Maluf, aliado do lulismo, que não nos deixa mentir.
É podre. É estarrecedor. É nojento. Mas sobretudo é criminoso. Por causa dessa sangria permanente dos cofres públicos é que não há dinheiro para se investir na saúde, na educação, nas estradas, na segurança pública. Na minha opinião, o nosso código penal deveria tipificar esse crime como hediondo e de lesa-pátria ou alta traição, sujeito à pena mais grave possível. 
O maior crime que se pode cometer em um país é o de traição, porque é um crime contra todos. E quem se aboleta em um cargo político, constitui uma quadrilha e fica dali roubando  o dinheiro de todos, comete exatamente esse crime. É um traidor da pátria. Nada mais, nada menos.
Só para dar uma idéia da escala: o doleiro Youssef, sozinho, movimentou mais de 10 bilhões de reais em operações de lavagem de dinheiro. Esse dinheiro dava para comprar 5 refinarias supersuperfaturadas (Pasadena, que valia 40 mil, mas custou mais de 1 bilhão de dólares).

Para relembrar:


  • Em 2005, a empresa belga Astra Oil comprou a refinaria de Pasadena por 42, 5 milhões de dólares.

  • Em 2006, Dilma Roussef, como presidente do Conselho, autorizou a Petrobrás a comprar 50% dessa refinaria por 360 milhões de dólares!!! Em um ano, a Astra Oil conseguiu transformar 21,3 milhões de dólares em 360 milhões de dólares, ou seja, 17 vezes mais.

  • Havia, nesse contrato de compra, uma cláusula chamada "put option" que obrigava a Petrobrás a comprar os restantes 50%, caso houvesse alguma divergência entre os sócios. Dilma Rousseff disse que não sabia da existência dessa "put option"

  • Obviamente, a divergência surgiu. Em 2007 a Astra Oil quis então vender os outros 50% à Petrobrás, que recusou a compra. O caso foi parar na justiça e a Petrobrás se viu obrigada a cumprir a "put option", tendo que pagar o valor adicional de 820 milhões de dólares pela outra metade da refinaria. 
  • Resumo da ópera: a Petrobrás pagou o valor de 1 bilhão e 200 mil dólares por uma refinaria que tinha sido comprada por 42,5 milhões. Há poucos casos no mundo capitalista de tal performance. É de se notar que essa performance espetacular foi conduzida por não-capitalistas convictos.

  • Existe alguém que seja tão ingênuo a ponto de pensar que todo esse negócio tenha sido conduzido dentro dos padrões de ética e de probidade? Não é surpresa nenhuma, portanto, aquilo que o ex-diretor está nos dizendo: que havia envolvimento de políticos graúdos e que mais um propinoduto tinha se estabelecido. Só não creio que esse diretor nos vá dizer toda a verdade. 

    Na máfia siciliana há um acordo tácito que se chama "omertá", pelo qual se algum mafioso cair, cai sozinho e se tiver que denunciar alguém, denuncia apenas os de mais baixo escalão, preservando os grandes e verdadeiros "capos". Com isso eles podem ir presos, mas tem preservada a sua vida. E, com isso, os grandes chefes jamais correm algum risco. Inteligente, não?




    sexta-feira, 5 de setembro de 2014

    Youssef ou Roussef?

    Muda apenas uma letra, mas a numerologia continua a mesma, ou seja,  o mar não tá pra peixe para nenhum dos dois. Ele, o Youssef, é o pivô central (o Marcos Valério) de outro crime, talvez ainda maior que o mensalão.
    O ex-diretor da Petrobras está dando nomes aos bois e contando como eram feitas as artimanhas para roubarem o nosso dinheiro na estatal. Estatais de capital misto e fundos de pensão estão entre os alvos preferenciais das quadrilhas, principalmente porque tem muito dinheiro e pouco dono.
    Em qualquer empresa privada seria absolutamemte impensável que um Conselho de Administração aprovasse uma compra como a da refinaria de Pasadena. Seria impensável até que se levasse ao Conselho tal proposta. Um diretor, tomado de insanidade, que tentasse uma coisa dessas seria sumaria e automaticamente demitido.
    Mas na estatal, não. É tudo normal. Foi tudo "apenas" consequeência de um relatório falho. 
    Se o Brasil fosse um país minimamente sério, já estaria todo mundo na cadeia inclusive a então presidente do Conselho, hoje, presidente do país. 
    O que tem que ser feito é prosseguirem as investigações com quebras de sigilo bancário de todos os envolvidos "duela a quién duela" e, repito, incluindo-se a presidente da República que, como presidente do Conselho e ministra na época do "malfeito" é a maior responsável pelo descalabro, malversação, prevaricação ou qualquer outro nome que tenha mais esse crime contra a administração pública.
    Para a presidenta, que se diz inocenta, isso não podia ocorrer em pior momento. Já vem despencando nas pesquisas, acossada por uma ex-militante de seu partido que tem muito mais história e credibilidade. Um escândalo desses agora é o que menos ela poderia querer.
    Quanto ao outro, o Youssef, o momento vai ser ruim de qualquer jeito porque já se sabe como acabam escândalos assim. Os políticos se safam, mas os operadores não tem sempre a mesma sorte. Afinal alguém há de pagar o pato, então "prendam-se os suspeitos habituais".

    Marcos Valério exibe a sua condenação para não me deixar mentir.

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