segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Tres poderes

Quer dizer que o Sr. Renan Calheiros ganhou mais uma vez e vai presidir de novo o Senado brasileiro. Merecemos! Somos um povo de péssima memória, um povo mole, que não cobra seus direitos, que se contenta com uma cerveja e um churrasco na laje no fim de semana.
Esse senhor já havia renunciado a esse mesmo cargo. Ainda que sabendo que os motivos dessa renúncia tenham sido os mais excusos, o ato da renúncia, em si, passa a mensagem de que o seu ator não estava a aguentar a responsabilidade do cargo, que não tinha capacidade de levar adiante o compromisso assumido com o povo nas urnas. Entretanto esse mesmo povo, traído em sua confiança, deposita novamente a sua boa fé no biltre... que por manhas e artimanhas do mundinho sujo dos bastidores da política se reelege para o cargo mais alto de um dos poderes da República.
Agora estamos bem! Está uma harmonia perfeita!
Dilma na frente do poder Executivo, Renan no Legislativo e Lewandowski no Judiciário. Os 3 poderes da República refletem hoje a credibilidade do Brasil. O que podemos esperar?
Na época do impeachment do Collor eu pensava que aquele era o ponto mais baixo a que poderíamos ter chegado na política. Grande engano! Agora nem ouso fazer prognósticos para o futuro. Pode ser que ainda piore mais e não sei o que acontecerá com esse país, caso as coisas ainda possam ficar mais sujas e mais rasteiras do que já estão. 
Não estou vendo também uma saída institucional para isso. Para o poder executivo sempre existe a possibilidade de um impeachment, mas como resolver o problema dos outros dois poderes? Como evitar a degeneração do poder legislativo e do judiciário? Não há mecanismos institucionais não traumáticos para isso.
Por hipótese, se muitos membros do Congresso estiverem metidos na roubalheira da Petrobras e forem condenados, nem mesmo a sua cassação está garantida e, ainda que cassados, nada garante que seus suplentes sejam de melhor qualidade. O mesmo vale para o poder judiciário. Se os ministros indicados por Lula e Dilma, que daqui a  pouco serão 100% da corte, se revelarem corruptos ou parciais, como a nação poderá se livrar deles? Por qual mecanismo?
São perguntas que ficam sem resposta e as respostas que podemos imaginar não são nada animadoras.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Petrobras quebrada

Quebraram a Petrobras! O petismo quebrou a empresa-símbolo do Brasil! Só por isso, esse partido deveria ser proscrito da atividade política. 
Aquela que já foi considerada a mais eficiente das empresas públicas, geradora de caixa, suporte financeiro das contas públicas, desenvolvedora de tecnologia nacional, está quebrada pela organização criminosa, com nome de partido político, que nela se aboletou e nela instalou seus vampiros, seus sanguessugas, que tanto fizeram até tirar dessa empresa o que ela já teve de melhor e mais importante: o orgulho!
Não foi só dinheiro que o petismo e seus amigos roubaram. Eles roubaram sobretudo a honra e a credibilidade da empresa e de seus funcionários. Vão se passar anos até que a imagem da Petrobras volte a ser o que era, se é que voltará um dia.
É uma ironia da vida perceber que aqueles que, com suas bandeiras vermelhas, berravam nos megafones, nas portas das refinarias ou na sede da empresa, o grito de ordem "o petróleo é nosso", tenham sido realmente aqueles que transformaram o slogan em realidade, só para eles.
O petróleo tem sido deles, exclusivamente. E, em qualquer país sério, já estariam trancafiados a dona Dilma e o ex-presidente, o Exu de Garanhuns. O que mais será preciso para convencer a sociedade e a Justiça de que esses meliantes, fantasiados de políticos, são os grandes responsáveis por essa roubalheira toda. Se não, qual será então a responsabilidade de um presidente da República, de um ministro de Estado ou de um presidente de Conselho de estatal? Se eles não tem, entre suas principais atribuições, proteger o patrimônio público, então não precisamos deles. Tudo isso parece um pesadelo sem fim que cada vez mais fica pior. 
E pode ser que ainda não tenhamos visto nem a metade do monstro. Quando se fizer uma investigação séria nas relações promíscuas do BNDES, da Eletrobras, do banco do Brasil e da "Nossa" Caixa pode se apostar que as cobras e os lagartos que daí saltarão terão o mesmo tamanho desse de agora.
E o nosso povo segue bovinamente apático, como sempre, aguentando as consequências de todos os desmandos sem oferecer a menor resistência. Até quando, Catilina?

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O grande risco

Estive em Auschwitz. Impossível descrever a sensação de estar dentro de um local que era uma fábrica de matar seres humanos. A começar da ironia em seu portão de entrada, onde está escrito: "Arbeit macht frei", o trabalho liberta.
O mais intrigante para um visitante como eu, sem história pessoal ligada ao Holocausto, é tentar entender como uma sociedade sofisticada e culta, como a alemã, se permitiu regredir a essa barbárie selvagem não aceitável nem mesmo entre os povos mais primitivos.
A consciência de que o nazismo aconteceu no seio da Europa nos leva a duvidar dessa pretensa civilização que achamos que temos. O desencanto acabou com o idealismo burguês do século XIX e início do século XX. Não à toa, desembocamos na sociedade pós-moderna com seu cinismo, sua descrença e sua depressão. O homem "civilizado", que já não acreditava em Deus, passou a não acreditar em si mesmo.
O escritor Uwe Timm, em seu excelente livro "À sombra do meu irmão", compartilha conosco dessa perplexidade. A pergunta-constatação que se faz é que se nem a cultura, nem a erudição, nem as artes, nada pôde deter o avanço da barbárie, como é que estaremos a salvo no futuro? O que seria um antídoto suficientemente seguro contra o renascimento da selvageria humana?
Há tentativas de explicações para o nazismo que falam de uma situação de humilhação dos alemães, de problemas econômicos graves, de penúria, de falta de perspectiva. Mas não se pode aceitar isso como razão suficiente para essa regressão.
O temor permanente é que a chamada civilização, como diz Jung, seja apenas um verniz sobre uma camada selvagem e brutal que pode irromper a qualquer momento, sob a mínima pressão externa. Estudos modernos sobre o comportamento dos nossos parentes próximos, os chipanzés, reforçam essa idéia. O homem é um mamífero extremamente violento. O canibalismo, o assassinato de filhotes, a disputa das fêmeas sob o tacão brutal do macho dominante, tudo isso é encontrado também entre esses "primos". 
Se é assim, precisamos de medidas de contenção eficazes, e que não dependam da vontade do governante de plantão. A começar pela extinção dos focos violentos onde quer que surjam.
Do mesmo modo que não de pode, nem se deve, aceitar o desenvolvimento de sociedades neo-nazistas em nosso meio, não podemos aceitar a existência de organizações como o Estado Islâmico. O ocidente tem que se mobilizar e apoiar as ações que visem a contenção dessas ideologias fanáticas e regressivas, onde quer que se encontrem. Todo esforço ainda será pouco. Isso é mais urgente que salvar o planeta de uma suposta catástrofe ambiental.

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