Ai, ai! Agora D. Dilma apela para os empresários. Apela para o seu espírito patriótico e conclama-os a investir e confiar no Brasil. Só faltava essa.
Depois de nos mandar gargalhar com os apagões - como se fosse engraçado, uma pessoa no escuro e sem energia elétrica, sendo defrontada com as desculpas mais esfarrapadas (foi raio, foi uma chave que caiu, foi falha humana...) e ainda gargalhando diante de tanto humor - a gerentona, ao perceber que seus pitacos na economia não estão produzindo resultado algum (aliás, estão, só que no sentido contrário), resolve apelar aos empresários para tentar salvar o PIB do país.
Na hora de decidir jogar contra a nossa moeda, desvalorizando-a brutalmente em menos de um ano, não perguntou a opinião de ninguém. Na hora de interferir nos contratos em andamento com as concessionárias de energia elétrica, afastando de vez os possíveis investidores que daqui a um ano poderiam disputar as novas concessões, também não se aconselhou com ninguém. Na hora de decidir criar barreiras protecionistas para alguns segmentos industriais (leia-se: indústria automobilística) também não procurou o mercado para se aconselhar.
Agora que a "sua casa, sua vida", está caindo aos pedaços, vem, de modo matreiro, querer atribuir a responsabilidade pelo crescimento econômico aos empresários, que, se não investirem, é porque não acreditam no Brasil. São pouco patriotas.
Tenha a santa paciência! Não se pode esperar de uma economista, que quase completou doutorado, que ignore esse axioma corriqueiro: a atividade econômica privada é atividade de risco. E só se arrisca, quem sabe ou supõe que vá ganhar alguma coisa. O empresário se arrisca quando percebe uma conjunção de fatores que possam justificar o empreendimento. Quando as regras do jogo não são claras, quando se muda a toda hora de direção, quando o poder público interfere com mão pesada o tempo todo, quando o ambiente corrupto deturpa a livre-concorrência, quando a taxação é abusiva, quando o emaranhado de regras e normas é quase ininteligível, quando a mão de obra local, de baixo nível de educação, é pouco produtiva, não se cria um quadro muito animador para os investimentos.
Quem já investiu, até fica, para ver se consegue salvar alguma coisa, mas ninguém vai colocar mais um pouco do rico dinheirinho enquanto a situação permanecer nebulosa.
Dos investidores estrangeiros, então, nem se fala. Podendo escolher entre investir no México, na India, em Singapura, sem falar na China, por quê iria escolher o Brasil para apostar?
O governo não tem "caixa" para bancar nem os investimentos tipicamente estatais, como os da infra-estrutura. Não há poupança interna no Brasil, aliás os brasileiros estão sendo estimulados a consumir e se endividar. Necessitamos portanto de capital estrangeiro para crescermos. Aquele capital de olhos azuis que, de tempos em tempos, serve de bode expiatório para as nossas mazelas.
A propósito de olhos azuis, D. Dilma, a senhora não estava querendo ensinar à Angela Merkel como deve administrar a zona do euro? E a nossa zona aqui, quem é que administra?
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Terrorismo "cowboy"
Há uma diferença flagrante entre o terrorismo islâmico, patrocinado por governos como os do Irã e da Síria, e o terrorismo de loucos como os do norueguês Breivik, do Unabomber e de outros atiradores avulsos como esse recente de Connecticut.
No primeiro caso, o terrorismo é de caso pensado, utilizado como uma arma política e pode ser abandonado se e quando a célula, que o mantém, assim o decidir. Esse tipo de terrorismo não depende de uma figura central. Embora emblemática no plano simbólico, uma figura como a de Bin Laden desaparecendo, não significa que a Al-Qaeda toda vá desaparecer ou sequer interromper suas atividades. Esse terrorismo independe das pessoas que o praticam.
O outro, não. O terrorismo avulso é um complemento da patologia pessoal. Geralmente pensado, planejado e executado sozinho, mesmo que vinculado a um grupo ou corrente ideológica.
Aliás toda e qualquer ideologia extremista atrai desequilibrados mentais que vêem naquele extremismo uma possibilidade de preencher a sua nulidade psíquica, mediante um simulacro de realidade, nem que seja por poucos minutos. É como se, ao perpetrarem uma tragédia de proporções épicas, estivessem provando ao mundo e a si mesmos a realidade de sua própria existência. Existem porque são capazes de fazer aquilo. A prova está lá, estampada nas primeiras páginas dos jornais.
Assim o que esse louco tem de fazer é algo de proporções tais que ultrapassem o local, o bairro, até mesmo a cidade. A repercussão terá que ser, se possível, mundial. Assim eles, ou escolhem numerosas vítimas, ou uma vítima que por si só repercuta da mesma maneira. Foi assim com John Lennon, foi assim com as crianças do Rio, foi assim com Breivik, na Noruega. Chapman agiu sozinho do começo ao fim. Já Breivik alistou-se em grupos de extrema esquerda.
O mais estranho é que esses tipos de loucura não acontecem aleatoriamente. Toda psicopatologia tem preferências culturais relacionadas ao seu próprio tempo e lugar. No Oriente Médio, as pessoas são capazes de se amarrar em bombas e se explodir em um lugar público, matando-se e levando consigo as que se encontravam aleatoriamente ao seu redor. Nos Estados Unidos é diferente. Ninguém se explode desse jeito. Ali a preferência é por um atirador solitário, que mata, um por um, antes de dar cabo de si. Isso fica culturalmente explicado. No Oriente, o coletivo é mais importante que o individual. Já nos EUA o ideário celebra o herói solitário que resolve "tudo" sozinho.
Ambos são muito difíceis de combater, mas o terrorismo político talvez seja mais fácil de se prevenir porque segue uma "lógica" política por trás de suas ações. Já o terrorismo individual, na minha opinião, não se combate com a restrição à venda de armas, mas com uma mudança cultural. Enquanto os americanos continuarem a considerar a si mesmos como os "cowboys" do mundo, terão que enfrentar, de tempos em tempos, esse tipo de problema interno.
No primeiro caso, o terrorismo é de caso pensado, utilizado como uma arma política e pode ser abandonado se e quando a célula, que o mantém, assim o decidir. Esse tipo de terrorismo não depende de uma figura central. Embora emblemática no plano simbólico, uma figura como a de Bin Laden desaparecendo, não significa que a Al-Qaeda toda vá desaparecer ou sequer interromper suas atividades. Esse terrorismo independe das pessoas que o praticam.
O outro, não. O terrorismo avulso é um complemento da patologia pessoal. Geralmente pensado, planejado e executado sozinho, mesmo que vinculado a um grupo ou corrente ideológica.
Aliás toda e qualquer ideologia extremista atrai desequilibrados mentais que vêem naquele extremismo uma possibilidade de preencher a sua nulidade psíquica, mediante um simulacro de realidade, nem que seja por poucos minutos. É como se, ao perpetrarem uma tragédia de proporções épicas, estivessem provando ao mundo e a si mesmos a realidade de sua própria existência. Existem porque são capazes de fazer aquilo. A prova está lá, estampada nas primeiras páginas dos jornais.
Assim o que esse louco tem de fazer é algo de proporções tais que ultrapassem o local, o bairro, até mesmo a cidade. A repercussão terá que ser, se possível, mundial. Assim eles, ou escolhem numerosas vítimas, ou uma vítima que por si só repercuta da mesma maneira. Foi assim com John Lennon, foi assim com as crianças do Rio, foi assim com Breivik, na Noruega. Chapman agiu sozinho do começo ao fim. Já Breivik alistou-se em grupos de extrema esquerda.
O mais estranho é que esses tipos de loucura não acontecem aleatoriamente. Toda psicopatologia tem preferências culturais relacionadas ao seu próprio tempo e lugar. No Oriente Médio, as pessoas são capazes de se amarrar em bombas e se explodir em um lugar público, matando-se e levando consigo as que se encontravam aleatoriamente ao seu redor. Nos Estados Unidos é diferente. Ninguém se explode desse jeito. Ali a preferência é por um atirador solitário, que mata, um por um, antes de dar cabo de si. Isso fica culturalmente explicado. No Oriente, o coletivo é mais importante que o individual. Já nos EUA o ideário celebra o herói solitário que resolve "tudo" sozinho.
Ambos são muito difíceis de combater, mas o terrorismo político talvez seja mais fácil de se prevenir porque segue uma "lógica" política por trás de suas ações. Já o terrorismo individual, na minha opinião, não se combate com a restrição à venda de armas, mas com uma mudança cultural. Enquanto os americanos continuarem a considerar a si mesmos como os "cowboys" do mundo, terão que enfrentar, de tempos em tempos, esse tipo de problema interno.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Direito penal do inimigo
Nas discussões sobre o mensalão, veio à tona uma questão que foi tratada "en passant" mas que tem relevância nesses tempos de política anormal em que vivemos e que deve ser discutida pela sociedade. Trata-se do direito penal do inimigo.
Em síntese, a teoria questiona se o inimigo da democracia teria o direito de usufruir dos bens democráticos para os destruir. E a resposta que dá é não. Nada mais, nada menos que isso.
Em um regime totalitário não são permitidas manifestações democráticas, nem oposicionistas. Nesses regimes, ao contrário, quem não adere, sofre perseguição constante e de toda espécie. Por que então em um regime democrático vamos permitir que grupos ou pessoas sejam livres para pregar e tentar implantar o totalitarismo? Imagine-se um partido nazista sendo fundado no Brasil. Seria justo dar-lhe liberdade para propagar suas idéias racistas e totalitárias, disputando eleições com os demais partidos e podendo, eventualmente, chegar ao poder? Não. Não é justo permitir-se isso e, de fato, a lei brasileira não o permite. Isso é aplicação da teoria do direito do inimigo.
Do mesmo modo, cabe a pergunta: Não se deveria aplicar o mesmo a qualquer outro partido ou agremiação, seja ela de direita ou de esquerda? Por quê temos horror somente ao totalitarismo de "direita"? Por quê aceitamos a ditadura cubana com tanta benevolência, mesmo quando essa ditadura tenta influir nas questões políticas internas no Brasil, como fez e faz no Forum de S.Paulo?
É preciso que a sociedade brasileira acorde e diga a todos os aventureiros que pretendem implantar uma ditadura nessas terras, seja de esquerda ou de direita, que isso não será consentido. Que a democracia, que levamos tanto tempo para conquistar, é um bem que preservaremos de qualquer ataque. É preciso que a sociedade demonstre essa vontade, antes que seja tarde demais.
Em síntese, a teoria questiona se o inimigo da democracia teria o direito de usufruir dos bens democráticos para os destruir. E a resposta que dá é não. Nada mais, nada menos que isso.
Em um regime totalitário não são permitidas manifestações democráticas, nem oposicionistas. Nesses regimes, ao contrário, quem não adere, sofre perseguição constante e de toda espécie. Por que então em um regime democrático vamos permitir que grupos ou pessoas sejam livres para pregar e tentar implantar o totalitarismo? Imagine-se um partido nazista sendo fundado no Brasil. Seria justo dar-lhe liberdade para propagar suas idéias racistas e totalitárias, disputando eleições com os demais partidos e podendo, eventualmente, chegar ao poder? Não. Não é justo permitir-se isso e, de fato, a lei brasileira não o permite. Isso é aplicação da teoria do direito do inimigo.
Do mesmo modo, cabe a pergunta: Não se deveria aplicar o mesmo a qualquer outro partido ou agremiação, seja ela de direita ou de esquerda? Por quê temos horror somente ao totalitarismo de "direita"? Por quê aceitamos a ditadura cubana com tanta benevolência, mesmo quando essa ditadura tenta influir nas questões políticas internas no Brasil, como fez e faz no Forum de S.Paulo?
É preciso que a sociedade brasileira acorde e diga a todos os aventureiros que pretendem implantar uma ditadura nessas terras, seja de esquerda ou de direita, que isso não será consentido. Que a democracia, que levamos tanto tempo para conquistar, é um bem que preservaremos de qualquer ataque. É preciso que a sociedade demonstre essa vontade, antes que seja tarde demais.
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