É claro que não há processo pedagógico totalmente infenso à ideologia. A cultura dominante está inevitavelmente presente no processo com a carga ideológica que a define e não há como ser diferente. O problema de misturar ideologia com pedagogia começa quando se quer impor a um processo pedagógico, não a ideologia da cultura dominante, mas a de uma facção, de uma parcela, de um partido, de um grupo, que momentaneamente esteja no comando político.
O processo pedagógico visa moldar uma geração inteira e, ao se introduzir nele um viés ideológico (e pior ainda, partidário), o que se está tentando fazer é o que as ditaduras todas almejam: ter sob seu controle os corações e as mentes das pessoas.
A democracia não pode permitir tal coisa. O processo educativo tem que ser neutro. Na hipótese mais extrema, os dois (ou vários) lados de uma questão ou pontos de vista tem que ser mostrados e debatidos.
O que se vê no Brasil entretanto, nesses tempos de sombra, é a partidarização ideológica dos livros didáticos. É o aparelhamento da educação!
A história factual chega a ser adulterada, fatos são omitidos, outros são distorcidos, para apresentar à mente infantil e adolescente uma versão, aquela versão benévola para com quem está no exercício temporário do poder político. A sociedade não pode aceitar isso passivamente. Não podemos permitir que imponham às nossas crianças uma visão de mundo unilateral (no caso, marxista) como se fosse a verdade indiscutível.
Além disso, está cada vez mais presente nos livros escolares, um certo messianismo anti-progresso. Com disse muito bem, Vinícius Mota, em sua coluna na Folha:
"Mas é curioso notar como um pacote dito progressista vai sendo entregue a nossos alunos sem grande questionamento. Mistura elementos clássicos da esquerda, como o ódio à competição, ao lucro, ao capital e ao êxito individual. Agrega também itens de crenças recentes, absorvidos após a ruína do socialismo soviético. Destaca-se o comunitarismo ambiental, neopagão, que mitifica a natureza, as árvores e os bichos, elegendo a agricultura comercial, a indústria e o consumo de massas como inimigos. O padrão de ensino no Brasil tem interpretação em excesso e falta de ênfase no conhecimento básico. Enquanto isso, a China 'socialista" investe na matemática."
Não é preciso acrescentar mais nada.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Representantes do povo?
Como é que uma pessoa eleita para representar uma parcela do povo no Congresso Nacional pode se dar o direito de votar em segredo?
Talvez seja essa a maior excrescência entre tantas que somos obrigados a suportar em nosso sistema político. O voto não pertence a esse(a) senhor/senhora. O voto pertence a quem o elegeu, ou então não somoos uma democracia representativa! E quem o elegeu tem o direito de saber como é que seu representante está votando. Simples assim.
Qualquer coisa diferente disso, não importam os argumentos, é enganação. E é uma das razões pelas quais a política está tão divorciada da população e vice-versa. De que adianta votar em A ou B se nenhum deles depois mantém o compromisso com o seu eleitor?
A manutenção da permissão para o voto secreto para deputados e senadores configura uma violação do principio da representatividade. Não há razão para isso. O voto dos parlamentares, em qualquer situação, deve ser claro, para que os representados possam avaliar se o seu representante votou conforme o programa do partido e suas próprias promessas e posições. O voto secreto é um direito do eleitor, mas jamais dos eleitos no exercício de seu mandato.
Por isso foi duplamente vergonhosa a votação que elegeu Renan Calheiros, presidente do Senado.
Depois nao adianta falar que setores da sociedade estão depreciando a política. Quando um representante do povo deixa de fazê-lo para atuar em seu beneficio pessoal, nesse momento a política deixa de cumprir sua função para se transformar em farsa.
Talvez seja essa a maior excrescência entre tantas que somos obrigados a suportar em nosso sistema político. O voto não pertence a esse(a) senhor/senhora. O voto pertence a quem o elegeu, ou então não somoos uma democracia representativa! E quem o elegeu tem o direito de saber como é que seu representante está votando. Simples assim.
Qualquer coisa diferente disso, não importam os argumentos, é enganação. E é uma das razões pelas quais a política está tão divorciada da população e vice-versa. De que adianta votar em A ou B se nenhum deles depois mantém o compromisso com o seu eleitor?
A manutenção da permissão para o voto secreto para deputados e senadores configura uma violação do principio da representatividade. Não há razão para isso. O voto dos parlamentares, em qualquer situação, deve ser claro, para que os representados possam avaliar se o seu representante votou conforme o programa do partido e suas próprias promessas e posições. O voto secreto é um direito do eleitor, mas jamais dos eleitos no exercício de seu mandato.
Por isso foi duplamente vergonhosa a votação que elegeu Renan Calheiros, presidente do Senado.
Depois nao adianta falar que setores da sociedade estão depreciando a política. Quando um representante do povo deixa de fazê-lo para atuar em seu beneficio pessoal, nesse momento a política deixa de cumprir sua função para se transformar em farsa.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Quanto custa o silêncio
Há 80 anos (mais exatamente em 30/01/33) Adolf Hitler chegava ao poder. E, chegava, pela via democrática, ou seja, pelo voto. Em pouco mais de um ano, já tinha criado todas as condições para transfomar aquela democracia em um regime totalitário dos mais horrorosos que já houveram na face da terra. Hitler conseguiu a maioria no Parlamento alemão, fazendo acordos com outros partidos, ditos democráticos, depois os enguliu a todos, eliminou, um a um, dos seus opositores e instituiu o partido único, o Partido dos Trabalhadores Alemães (Deutche Arbeitepartei - que coincidência!), que tinha sido renomeado Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Foi com a conivência ou indiferença da sociedade alemã que o totalitarismo se implantou ali. Quem não era nazista, nem simpatizante do nazismo, porque não tinha gritado antes, foi obrigado a se calar depois.
Os tempos mudam, mas os métodos insistem em ser os mesmos: calar a imprensa, cooptar os outros partidos, reduzir ou silenciar a oposição, arrebanhar militantes aguerridos, pregar o ódio racial, dividir a sociedade entre os que apoiam e os "inimigos", confundir o partido com o Estado. Tudo isso vem se repetindo sob nossos olhos complacentes.
Estamos aceitando tudo, como se aceita um desígnio da natureza. Depois vai ser tarde para chorar. O custo do nosso silêncio de agora pode ser duro e difícil de ser pago mais tarde.
Uma grande culpa dessa situação pode ser atribuida à anemia da oposição. A tarefa de se opor politicamente não é das redes sociais, a tarefa é dos partidos constituidos que estão fora do governo. Esses partidos, em especial, o PSDB e seus líderes, são os que têm a obrigação moral, política e institucional de fazer uma oposição digna do nome, para a preservação do jogo democrático. As redes sociais podem e devem gritar, mas é dever cívico do PSDB assumir uma oposição política de fato. Com a palavra o Senador Aécio Neves.
Foi com a conivência ou indiferença da sociedade alemã que o totalitarismo se implantou ali. Quem não era nazista, nem simpatizante do nazismo, porque não tinha gritado antes, foi obrigado a se calar depois.
Os tempos mudam, mas os métodos insistem em ser os mesmos: calar a imprensa, cooptar os outros partidos, reduzir ou silenciar a oposição, arrebanhar militantes aguerridos, pregar o ódio racial, dividir a sociedade entre os que apoiam e os "inimigos", confundir o partido com o Estado. Tudo isso vem se repetindo sob nossos olhos complacentes.
Estamos aceitando tudo, como se aceita um desígnio da natureza. Depois vai ser tarde para chorar. O custo do nosso silêncio de agora pode ser duro e difícil de ser pago mais tarde.
Uma grande culpa dessa situação pode ser atribuida à anemia da oposição. A tarefa de se opor politicamente não é das redes sociais, a tarefa é dos partidos constituidos que estão fora do governo. Esses partidos, em especial, o PSDB e seus líderes, são os que têm a obrigação moral, política e institucional de fazer uma oposição digna do nome, para a preservação do jogo democrático. As redes sociais podem e devem gritar, mas é dever cívico do PSDB assumir uma oposição política de fato. Com a palavra o Senador Aécio Neves.
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