É paradoxal verificar, em tempos politicamente corretos, surgirem esses "humoristas" barra-pesada, tais como Danilo Gentili e Rafinha Bastos, que extrapolam todas as fronteiras do bom gosto e do respeito à sensibilidade das pessoas. Não defendo o "politicamente correto" até porque o acho, além de chatíssimo, muito hipócrita.
Portanto uma das funções do humorista, como crítico de costumes, seria denunciar esse politicamente correto quebrando os paradigmas. É isso o que um bom humorista sempre fez. Mas há um limite, além do qual o humor se transforma em agressão e aí já não deveria ter o apoio da sociedade. Passar desse ponto é o que um bom humorista jamais faria. Estabelecer qual é o ponto certo, qual é a dose correta de iconoclastia é o trabalho de um artista, o que, supostamente, os humoristas são. Entretanto para o bem e para o mal, a democratização da mídia hoje proporciona a qualquer um se intitular artista e, em especial, humorista. O "Youtube" está cheio de vídeos de gente que pensa que fazer arte e humor é gravar e publicar aquele monte de baboseiras que se postam por lá.
Reconheço também que, diante do esforço que os politicos fazem para encarnarem os papéis mais ridículos, fica difícil para um humorista se sobressair. Mas não precisavam apelar assim. Primeiro, o Rafinha Bastos veio com aquela "piada" sobre o estupro e agora o tal de Danilo Gentili nos brinda com um escracho, em termos bastante baixos, sobre a maior doadora de leite do Brasil.
E pensar que o humor no Brasil já foi representado por Millôr, Péricles, Chico Anísio, Manoel da Nóbrega, José Vasconcelos, Paulo Gracindo, Juca Chaves, Grande Otelo, Oscarito e outros. Nem mesmo a causticidade de uma Dercy Gonçalves chegou a tanto. Dercy era desbocada e sem papas na língua, mas não me lembro de tê-la visto calcar o humor sobre ofensas e desrespeito ao outro.
É claro que defendo o direito de livre expressão desses "humoristas", até mesmo para todo esse "humor" de baixo calão. Não é essa a questão. A questão é que, do mesmo modo que eles podem falar o que quiserem, a parcela da sociedade que se sente agredida por eles também pode. E deve!
Demonstrar o repúdio e não dar publicidade a esse mau humor é a melhor maneira de fazê-lo recolher-se ao seu nicho no submundo de onde nunca devia ter saído.
sábado, 2 de novembro de 2013
Mau humor
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Danilo Gentili,
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
O "xis" da questão
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, esse é o nome do BNDES. Como tudo o que se faz aqui, o nome pomposo quer evocar uma função que não tem nada a ver com a realidade da instiuição e ainda faz uma piada de humor negro com o "...e social".
O que faz esse banco? Empresta dinheiro para os ricos e muito ricos a juros subsidiados. Essa é a função social.
A função "desenvolvimento econômico" fica mais clara quando se computam os investimentos que esse banco fez por exemplo para o desenvolvimento da produção de etanol no Brasil. Lembram-se do Lula dizendo que o Obama iria ter que importar etanol do Brasil? Um dos "grandes investimentos" no desenvolvimento econômico brasileiro foi esse na produção do etanol; outro foi nas empresas do grupo "X".
A OGX, menina dos olhos do grupo, está com uma dívida de quase 12 bilhões. O valor dos ativos da empresa perfaz 2,7 bilhões de dólares, ou seja, quase 6 bihões de reais, a metade do valor da dívida! Em outras palavras, a dívida só se paga com rendimentos futuros. Traduzindo: com os ovos que ainda estão nos fiofós das galinhas. Se esses ovos não forem botados, chocados e virarem outras galinhas, não haverá como pagar.
Se a dívida fosse constituída apenas de capital privado seria um problema particular de quem confiou e investiu nas empresas do grup "X". O "xis" da questão, porém, é que o BNDES enfiou muito do nosso suado dinheirinho nessas empresas. O Banco diz que não fez empréstimo à OGX, só às outras empresas do grupo, que, no entanto, totaliza 10,4 bilhões! E o BNDESpar tem participação acionária na OGX. A "nossa" Caixa também tem empréstimos ao grupo, especialmente à OSX, que também será afetada pela derrocada da petroleira.
Apesar de tudo isso, "ouve-se" um silêncio sepulcral do governo! É o nosso dinheiro que está em questão, mas ninguém fala nada. Dilma, que antes não se cansava de elogiar Eike Batista e que há pouco até cogitou em socorrê-lo, está muda da silva. É a tática Lula: na hora em que a coisa aperta, cala-se o bico fanfarrão e finge-se de morto.
O que faz esse banco? Empresta dinheiro para os ricos e muito ricos a juros subsidiados. Essa é a função social.
A função "desenvolvimento econômico" fica mais clara quando se computam os investimentos que esse banco fez por exemplo para o desenvolvimento da produção de etanol no Brasil. Lembram-se do Lula dizendo que o Obama iria ter que importar etanol do Brasil? Um dos "grandes investimentos" no desenvolvimento econômico brasileiro foi esse na produção do etanol; outro foi nas empresas do grupo "X".
A OGX, menina dos olhos do grupo, está com uma dívida de quase 12 bilhões. O valor dos ativos da empresa perfaz 2,7 bilhões de dólares, ou seja, quase 6 bihões de reais, a metade do valor da dívida! Em outras palavras, a dívida só se paga com rendimentos futuros. Traduzindo: com os ovos que ainda estão nos fiofós das galinhas. Se esses ovos não forem botados, chocados e virarem outras galinhas, não haverá como pagar.
Se a dívida fosse constituída apenas de capital privado seria um problema particular de quem confiou e investiu nas empresas do grup "X". O "xis" da questão, porém, é que o BNDES enfiou muito do nosso suado dinheirinho nessas empresas. O Banco diz que não fez empréstimo à OGX, só às outras empresas do grupo, que, no entanto, totaliza 10,4 bilhões! E o BNDESpar tem participação acionária na OGX. A "nossa" Caixa também tem empréstimos ao grupo, especialmente à OSX, que também será afetada pela derrocada da petroleira.
Apesar de tudo isso, "ouve-se" um silêncio sepulcral do governo! É o nosso dinheiro que está em questão, mas ninguém fala nada. Dilma, que antes não se cansava de elogiar Eike Batista e que há pouco até cogitou em socorrê-lo, está muda da silva. É a tática Lula: na hora em que a coisa aperta, cala-se o bico fanfarrão e finge-se de morto.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Santas casas
O governo do PT alardeia aos quatro ventos sua preocupação com a saúde do povo brasileiro. Está aí uma excelente oportunidade de provar que essa "preocupação" não é apenas demagogia eleitoreira. As Santas Casas, muitas das quais estão em situação pré-falimentar, mereceriam uma política pública séria. As Santas Casas tem 80% de seus leitos dedicados ao SUS e recebem menos do que gastam no tratamento dos pacientes. O dinheiro é repassado da União, primeiro para as prefeituras, alí permanece fazendo "caixa" sabe-se lá quanto tempo, só depois é que o repasse chega ao destino final. Pergunta-se: por quê esse dinheiro tem que fazer esse trajeto tortuoso? por quê o SUS não faz o pagamento diretamente às Santas Casas?
O "Estado de Minas" traz uma notícia hoje sobre essa questão. Segundo o jornal, a Santa Casa de Belo Horizonte tem uma dívida de 5 bilhões em impostos federais atrasados (cujo pagamento foi negociado para ser feito em 15 anos). E, de seus 1.314 leitos, 1.085 são dedicados ao SUS. É uma situação absurda: quanto mais leitos o hospital oferece ao SUS, mais aumenta o seu prejuízo. E o governo fica fazendo pose enquanto empurra para o setor privado a responsabilidade da resolução dos problemas públicos.
É o mesmo que ocorre com a educação superior, por exemplo. O governo faz convênios e mais convênios com escolas particulares ao invés de aumentar a oferta de vagas nas universidades públicas. Só que nesse caso, como, do outro lado da mesa estão empresários dedicados aos seus negócios, o que acontece é uma verdadeira sangria de recursos públicos. Mas isso é outro assunto.
No caso das Santas Casas é incompreensível que elas não sejam isentas do pagamento de impostos. São instituições filantrópicas e de utilidade pública seculares. Se as Igrejas são isentas, por quê não isentar também as Santas Casas? Seria muito mais lógico, uma vez que são credoras e devedoras da mesmo entidade, a União e fazem esse trabalho suplementar de suporte à saúde pública. Mudar a lei para isso e revisar os repasses do SUS eliminado as interferências indesejáveis das prefeituras, diminuindo também o risco de desvios, seria uma atitude correta de um governo legitimamente preocupado em dar melhor assistência à saúde do brasileiro. O resto é só conversa mole e mentiras.
O "Estado de Minas" traz uma notícia hoje sobre essa questão. Segundo o jornal, a Santa Casa de Belo Horizonte tem uma dívida de 5 bilhões em impostos federais atrasados (cujo pagamento foi negociado para ser feito em 15 anos). E, de seus 1.314 leitos, 1.085 são dedicados ao SUS. É uma situação absurda: quanto mais leitos o hospital oferece ao SUS, mais aumenta o seu prejuízo. E o governo fica fazendo pose enquanto empurra para o setor privado a responsabilidade da resolução dos problemas públicos.
É o mesmo que ocorre com a educação superior, por exemplo. O governo faz convênios e mais convênios com escolas particulares ao invés de aumentar a oferta de vagas nas universidades públicas. Só que nesse caso, como, do outro lado da mesa estão empresários dedicados aos seus negócios, o que acontece é uma verdadeira sangria de recursos públicos. Mas isso é outro assunto.
No caso das Santas Casas é incompreensível que elas não sejam isentas do pagamento de impostos. São instituições filantrópicas e de utilidade pública seculares. Se as Igrejas são isentas, por quê não isentar também as Santas Casas? Seria muito mais lógico, uma vez que são credoras e devedoras da mesmo entidade, a União e fazem esse trabalho suplementar de suporte à saúde pública. Mudar a lei para isso e revisar os repasses do SUS eliminado as interferências indesejáveis das prefeituras, diminuindo também o risco de desvios, seria uma atitude correta de um governo legitimamente preocupado em dar melhor assistência à saúde do brasileiro. O resto é só conversa mole e mentiras.
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