segunda-feira, 18 de março de 2013

Fatura atrasada.

Politicagem e corrupção sempre existiram, mas o PT elevou-as,  ambas, ao estado da arte. Fez delas um meio de hegemonia e de destruição dos dois elementos principais de uma democracia: o pluripartidarismo e a oposição política.
Ao cooptar qualquer partido, de qualquer programa e ideologia, para dentro da chamada "base aliada", comprando-lhes a adesão por meio do fisiologismo e da corrupção pura e simples, como ficou sobejamente demonstrado no caso do mensalão, o PT subverteu as bases da democracia representativa no que ela tem de essencial: a própria representatividade.
Elegemos esses senhores para nos representar, para defender as idéias e valores em que acreditamos, para lutar pelos interesses de uma determinada parcela da sociedade. Mas isso tem que ser feito à luz do dia. Os partidos tem que ter uma linha programática e seguí-la no exercício de sua missão política.
Quando um partido é cooptado, não por um programa, uma idéia, um projeto, mas à custa de vantagens escusas, deixa de cumprir a função para a qual existe. É simples assim.
Fôssemos um país sério, no caso do mensalão, por exemplo, todos os partidos que "aderiram" ao governo por meio de corrupção teriam seu registro cassado. Esses partidos abandonaram a sua missão, a sua razão de existir, portanto não há sentido em continuarem a fazer parte do processo político.
É por isso que existem 39 ministérios e, como disse o sr. Gerdau, estamos no limite da burrice. Tem que ter lugar para todos nessa arca de Noé às avessas, que, ao invés de nos salvar, está é nos levando pro dilúvio.
Aliado do governo ou não, tendo negócios com o governo ou não, o sr. Jorge Gerdau tem razão. Estamos no limite da burrice, da incompetência, da má-fé, da má gestão dos recursos, do cinismo e da negligência. É preciso que recuperemos um mínimo de dignidade e seriedade no trato com a coisa pública para que a atividade política faça sentido de novo entre nós.
Chega de mentiras, de indignidades, de demagogia, de espertezas, senão um dia a casa cai. Nosso povo pode ser passivo e ignorante, mas um dia abrirá os olhos e verá o quanto foi roubado e expoliado e nesse dia cobrará a fatura, cujo pagamento já está mais que atrasado.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pé de pato, mangalô, três vezes.

Já temos uma história longa de inflação e seu combate ineficaz com mágicas e bruxarias. Devíamos já saber que isso não funciona.
Intervenções pontuais nos preços não resolvem, se o problema é macroeconômico. Por quê temos inflação? Em primeiro lugar, porque as contas públicas não fecham. O governo gasta mais do que pode e do que arrecada. Isso se chama irresponsabilidade fiscal. Em segundo lugar, porque as pessoas estão consumindo mais do que a indústria consegue produzir. É o famoso efeito da lei da oferta e da procura.
E, no ano passado, o crescimento da indústria de transformação foi negativo, ou seja, a produção industrial no Brasil diminuiu em vez de crescer. 
Entretanto o governo continua estimulando o consumo, diminuindo impostos aqui, forçando a queda dos juros alí. O governo acredita que o consumo vai resolver o problema do PIB.  Aí é que se engana (e nos engana) porque não é o consumo que vai fazer a economia crescer e, sim, investimentos na produção.
Dilma parece que pensa que suas bruxarias e mandingas vão resolver o problema. 
A questão porém é que a equação para ela não está fechando. Se deixar os juros subirem para segurar a inflação, o pibinho raquítico vai para a UTI. A inflação pode até baixar, mas aí vem a impopularidade. As pessoas começam a perder o emprego, a massa salarial cai, fica mais difícil comprar (afinal esse era o objetivo), enfim, entramos na recessão ou estagnação econômica. E o sonho da reeleição no ano que vem, vai para o beleléu.
A única saída é enxugar os gastos de custeio da máquina pública para sobrar dinheiro para  investir na recuperação da infraestrutura, que já está sucateada há muito tempo.
Só um milagre faria baixar a sensatez em um governo que desperdiçou dois anos andando de lado. Agora, com o processo eleitoral deflagrado pelo Molusco, Dilma pode até "fazer o diabo". O que não fará de jeito nenhum é administrar o país com responsabilidade.
Querem apostar qual vai ser o caminho escolhido pela gerentona? Será o da austeridade, da racionalidade econômica, o caminho que faria bem ao país? Ou será o caminho enganoso e fácil das contas manipuladas, dos intervencionismos estatais perfunctórios, das mágicas e bruxarias? Eu já sei a resposta.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O fuá das madames

A presidenta veio à televisão, em belo estilo campanha eleitoral, no dia da Mulher, presentear a nação com uma redução de impostos dos itens da cesta básica. Planejamento detalhado para deixar a dona-de-casa feliz!
Dona Dilma não contou porém, à dona-de-casa telespectadora, que a outra Dilma, a Dilma do B, tinha vetado esse corte nos impostos seis meses antes. Claro! Antes a proposta tinha partido do PSDB, inimigo político! E, mesmo que seja para o bem da dona-de-casa e seus familiares, mesmo que seja para o benefício de todos os brasileiros, proposta de inimigo político não pode ser apoiada. E ponto final. Essa sempre foi a linha do PT.
Foi contra a eleição de Tancredo, foi contra o Plano Real,  foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi contra até a Constituição, que não assinou. Não interessa o mérito da causa, uma vez que não tenha saído da cabeça dos iluminados do partido, o PT é contra.
Desde que se apropriou dos programas sociais do governo FHC, ficou claro que o PT gosta também de plagiar idéias alheias e usá-las como se fossem próprias. 
Por isso não causa espanto que, depois da Dilmona ter vetado, surja agora a Dilminha Ternurinha, boazinha e preocupada com a inflação que a Dilmona causou, para dar o descontinho generoso. 
E depois ficamos sabendo que a bondade foi ainda maior do que o anunciado na TV. O desconto  não vale só para os itens da cesta básica. Vale também para muitos outros, como "foie gras" (pronuncia-se  fuá), "filet mignon" (filé minhon), salmão, bacalhau, patos e gansos.
Agora, sim, agora Dona Dilma ganhou também o coração das madames! Afinal de contas, quem é que vive sem fuá? Pena que deixou o caviar de fora. De fora da lista, bem entendido, madames.

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