Se não fosse a presidenta da nação, até que seria engraçado. Antigamente era o político mineiro, Benedito Valadares, quem nos provia com as mais divertidas e infames piadas. Tanto que criou-se a expressão de espanto: "Será o Benedito?".Agora é Dilma.
Para azar dos mineiros, também nascida nas alterosas, a presidenta Dilma vai criando uma coleção de sandices que dará matéria de trabalho e fará a glória de muitos humoristas por longo tempo. A mais recente foi a comparação entre Monet e Montesquieu. Não resisto em lhe fazer um apelo:
Dona Dilma! Por favor, se aquiete e deixe de nos pôr em situação de vexame internacional!
Montesquieu, dona Dilma, foi o filósofo iluminista que elaborou a teoria da separação dos poderes, coisa que seu partido e a senhora parecem desconhecer. Leia Montesquieu dona Dilma e aprenda que o poder executivo nas democracias está sujeito ao escrutínio do legislativo e do judiciário. Que os poderes são de igual importãncia e tem que ser independentes. Que um poder não pode interferir no outro, etc., etc.
Quanto a Monet, coitado, é rigorosamente inocente. Não fez nada para aparecer no discurso desconexo da gerentona "fake". Talvez tenha sido citado porque a dona queria demonstrar cultura e só se lembrou desses dois "europeus importantes".
Como tudo no discurso dela, mais uma vez trata-se apenas de aparência, mentira e enganação. Em suma um simulacro!
Leia Baudrillard, dona Dilma. É outro "europeu importante".
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Editorial do Estadão:
Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros – e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória...
...Em discurso a empresários, Dilma divagou, como se grande pensadora fosse, misturando Monet e Montesquieu – isto é, alhos e bugalhos. “Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet.”
quarta-feira, 5 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Vários pesos e várias medidas
Há muito a população brasileira não acredita nas instituições do Estado. O descrédito atinge os 3 poderes igualmente, mas tende a ser mais contundente quando se trata do Judiciário.
Até pouco tempo era um poder fechado. Não se sabia bem o que aqueles homens graves vestidos com uma capa preta, igual à do Zorro, faziam ou deixavam de fazer. Eram mais temidos que respeitados. E suas decisões pareciam não ter nada a ver com a vida quotidiana dos cidadãos. E ainda era um clube das elites e para as elites. Dizia-se, então, que o rigor da justiça só atingia para os 3 P's: pobre, puta e preto.
Novos tempos, novos costumes. O Judiciário aos poucos foi deixando de ser uma caixa preta e a nação foi tomando ciência e consciência de sua importância no ordenamento democrático.
Entretanto a desconfiança geral com a aplicação da justiça não diminiu e, por culpa do próprio Judiciário. O conceito que se tem no país é que a justiça é lenta e só pune pra valer os desvalidos. Como mudar esse conceito se o que se vê de fato é a aplicação branda da lei para os poderosos enquanto os demais são tratados como cidadãos de segunda e terceira classe?
Esse desfecho dos embargos infringentes, por exemplo, foi um vexame que expôs ainda mais as mazelas desse país. O sistema foi preparado para ser um jogo de cartas marcadas. A nomeação desses últimos dois ministros, pode até não ser, mais tudo indica que foi calculada para melar o jogo. Não à toa o ministro Joaquim Barbosa, no auge da indignação, indagou do ministro Barroso se já tinha seu voto pronto quando foi nomeado.
A circunstância de uma sentença ser proferida por uma corte e depois reformada por outra deixa claro que não há Supremo Tribunal. O que existem são tribunais circunstanciais, relativos, cuja verdade vale hoje, mas poderá não valer amanhã, dependendo do poderoso de plantão. Na pior das hipóteses o que deveria ter ocorrido era os dois novos ministros, que não participaram do julgamento, nem da fixação das penas, não terem votado.
Tal como ocorreu, está institucionalizada a insegurança jurídica como mais uma mazela da nossa desmoralizada justiça. Uma justiça com vários pesos e várias medidas dependendo da qualidade do réu.
Até pouco tempo era um poder fechado. Não se sabia bem o que aqueles homens graves vestidos com uma capa preta, igual à do Zorro, faziam ou deixavam de fazer. Eram mais temidos que respeitados. E suas decisões pareciam não ter nada a ver com a vida quotidiana dos cidadãos. E ainda era um clube das elites e para as elites. Dizia-se, então, que o rigor da justiça só atingia para os 3 P's: pobre, puta e preto.
Novos tempos, novos costumes. O Judiciário aos poucos foi deixando de ser uma caixa preta e a nação foi tomando ciência e consciência de sua importância no ordenamento democrático.
Entretanto a desconfiança geral com a aplicação da justiça não diminiu e, por culpa do próprio Judiciário. O conceito que se tem no país é que a justiça é lenta e só pune pra valer os desvalidos. Como mudar esse conceito se o que se vê de fato é a aplicação branda da lei para os poderosos enquanto os demais são tratados como cidadãos de segunda e terceira classe?
Esse desfecho dos embargos infringentes, por exemplo, foi um vexame que expôs ainda mais as mazelas desse país. O sistema foi preparado para ser um jogo de cartas marcadas. A nomeação desses últimos dois ministros, pode até não ser, mais tudo indica que foi calculada para melar o jogo. Não à toa o ministro Joaquim Barbosa, no auge da indignação, indagou do ministro Barroso se já tinha seu voto pronto quando foi nomeado.
A circunstância de uma sentença ser proferida por uma corte e depois reformada por outra deixa claro que não há Supremo Tribunal. O que existem são tribunais circunstanciais, relativos, cuja verdade vale hoje, mas poderá não valer amanhã, dependendo do poderoso de plantão. Na pior das hipóteses o que deveria ter ocorrido era os dois novos ministros, que não participaram do julgamento, nem da fixação das penas, não terem votado.
Tal como ocorreu, está institucionalizada a insegurança jurídica como mais uma mazela da nossa desmoralizada justiça. Uma justiça com vários pesos e várias medidas dependendo da qualidade do réu.
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Tudo dominado
Enquanto o aparelhamento da coisa pública estava só no poder executivo, muita gente pensava que seria apenas uma questão de tempo para que o PT fosse desalojado do poder. Seria a tal alternância, uma característica das democracias.
O problema é que junto com esse aparelhamento havia um poder legislativo venal e tradicionalmente fisiológico, restando apenas o poder judiciário como isento e imune a esse assalto.
O PT se deu conta que o judiciário não estava sob seu controle um pouco tarde demais, quando os mensaleiros já tinham sido condenados. E a nomeação de Joaquim Barbosa e Luiz Fux não funcionou como eles queriam, uma vez que esses ministros demonstraram total independência e isenção, de um modo tal que os próceres do partido não esconderam sua indignação com o que consideravam ser uma traição.
Pois bem, dona Dilma teve mais duas chances e dessas vezes fez um "trabalho mais bem feito". O resultado está aí: a absolvição por 6 a 5 dos mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha.
Hoje pode se dizer que o aparelhamento completou-se. Estão os 3 poderes da República subordinados às ordens de um partido. Triste Brasil. Ou como disse o ministro Joaquim Barbosa: "Sinto-me autorizado a alertar a nação que esse é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora."
Agora, pergunto: estando os 3 poderes cooptados de que adianta alertar a nação, ministro? Quem vai nos salvar? Os black blocs?
O problema é que junto com esse aparelhamento havia um poder legislativo venal e tradicionalmente fisiológico, restando apenas o poder judiciário como isento e imune a esse assalto.
O PT se deu conta que o judiciário não estava sob seu controle um pouco tarde demais, quando os mensaleiros já tinham sido condenados. E a nomeação de Joaquim Barbosa e Luiz Fux não funcionou como eles queriam, uma vez que esses ministros demonstraram total independência e isenção, de um modo tal que os próceres do partido não esconderam sua indignação com o que consideravam ser uma traição.
Pois bem, dona Dilma teve mais duas chances e dessas vezes fez um "trabalho mais bem feito". O resultado está aí: a absolvição por 6 a 5 dos mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha.
Hoje pode se dizer que o aparelhamento completou-se. Estão os 3 poderes da República subordinados às ordens de um partido. Triste Brasil. Ou como disse o ministro Joaquim Barbosa: "Sinto-me autorizado a alertar a nação que esse é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora."
Agora, pergunto: estando os 3 poderes cooptados de que adianta alertar a nação, ministro? Quem vai nos salvar? Os black blocs?
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